O dólar encerrou a sessão perto da estabilidade diante do real, em um pregão marcado por baixa liquidez e cautela dos investidores diante das incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã. O mercado acompanhou a possibilidade de nova rodada de negociações entre os dois países, ao mesmo tempo em que monitorou ameaças de escalada no conflito e seus reflexos sobre petróleo, câmbio e ativos globais.
A moeda norte-americana fechou em leve baixa de 0,19%, cotada a R$ 4,9742. No acumulado do ano, a divisa registra queda de 9,38% frente ao real. Já o dólar futuro para maio recuou 0,11%, negociado a R$ 4,9845 na B3.
Ao longo do dia, o foco dos agentes esteve concentrado no cenário externo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que representantes norte-americanos chegariam ao Paquistão para uma nova rodada de negociações com o Irã, mas também ameaçou atacar instalações iranianas caso não haja acordo para encerrar a guerra.
Do outro lado, o Irã rejeitou o ultimato, informou que não participaria da nova rodada de negociações e voltou a fechar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. O país também acusou Washington de violações do cessar-fogo, ampliando dúvidas sobre a continuidade do processo diplomático.
Apesar do ambiente tenso, o mercado evitou movimentos bruscos. A sessão teve oscilações limitadas, influenciadas também pelo feriado de Tiradentes no Brasil, que reduziu a liquidez e contribuiu para uma postura mais defensiva dos investidores.
Após atingir máxima intradia de R$ 4,9926, o dólar à vista recuou à mínima de R$ 4,9711. A variação entre os extremos do dia foi de apenas 0,43%, evidenciando comportamento contido das cotações.
No exterior, a moeda norte-americana apresentou desempenho misto. Perdeu força frente a divisas como euro e libra, mas teve comportamento desigual diante de moedas emergentes, subindo frente à rupia indiana e ao peso chileno e caindo diante do peso colombiano e do peso mexicano.
No mercado doméstico, o Banco Central também atuou ao vender 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de maio. A operação foi acompanhada sem impacto relevante sobre os preços.
Para analistas, o comportamento do câmbio refletiu um mercado em compasso de espera, com investidores monitorando os próximos desdobramentos geopolíticos e seus possíveis efeitos sobre fluxos financeiros, preços de commodities e percepção global de risco.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

