Nos últimos dois anos, o Brasil tem vivido uma verdadeira transformação em sua infraestrutura, com destaque para os modais de transporte. Portos, aeroportos e hidrovias passaram a receber investimentos robustos, refletindo o esforço do Governo Federal para ampliar a conectividade, elevar a produtividade nacional e garantir qualidade de vida à população. Os avanços foram detalhados pelo ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, em apresentações nas Comissões de Infraestrutura (CI) e de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado Federal.
De acordo com o ministro, o setor portuário foi um dos principais beneficiados. Entre 2023 e 2024, os terminais portuários brasileiros receberam R$ 22,3 bilhões em investimentos — um crescimento de mais de 260% em comparação aos R$ 6,2 bilhões investidos no biênio anterior. Trata-se do maior aporte já registrado na história do país. O resultado prático desse investimento foi o aumento na movimentação de cargas, que ultrapassou 1,3 bilhão de toneladas no último ano, com destaque para o agronegócio e o transporte de contêineres.
Silvio Costa Filho ressaltou que investir em infraestrutura logística é fundamental para dinamizar a economia nacional. Segundo ele, os portos geram emprego, renda e fortalecem cadeias produtivas essenciais. “O investimento em infraestrutura não é apenas técnico. É também uma política pública que transforma vidas. O brasileiro voltou a acreditar que é possível ter saúde, educação e comida na mesa”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou os avanços recentes. Segundo ele, o crescimento do Brasil está alicerçado em trabalho coletivo e compromisso com o desenvolvimento social. “Estamos deixando de ser o eterno país do futuro. Hoje, estamos construindo esse futuro com mais tecnologia, inclusão e investimentos públicos de qualidade”, declarou o presidente.
Entre os grandes empreendimentos anunciados, destaca-se o Túnel Santos-Guarujá, maior obra de infraestrutura qualificada do Novo PAC. O edital foi lançado em fevereiro de 2024 e o leilão está previsto para o segundo semestre, com previsão de R$ 6 bilhões em investimentos via parceria público-privada (PPP). A obra deve beneficiar diretamente o litoral paulista e dinamizar a economia local.
Até 2026, estão previstos R$ 22,85 bilhões em investimentos para 42 novos empreendimentos portuários. Em 2024, oito leilões já foram realizados, totalizando R$ 3,74 bilhões em aportes. Para 2025, a expectativa é de 21 arrendamentos e uma concessão, com soma de R$ 19,85 bilhões — incluindo o Tecon Santos 10, novo superterminal de contêineres no Porto de Santos, com investimento individual de R$ 5,6 bilhões. Em 2026, outros 21 projetos devem receber R$ 3,10 bilhões.
O governo também aposta na sustentabilidade. Para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, será iniciado um programa inovador de concessão de hidrovias. O Brasil conta com cerca de 20 mil quilômetros de rios navegáveis e, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), esse número pode dobrar com investimentos adequados. O projeto visa melhorar a segurança e a navegabilidade em rios estratégicos e inclui a concessão de oito hidrovias em quatro regiões do país.
Com foco nesse segmento, foi criada a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, que vem atuando em obras de expansão da navegabilidade, como o derrocamento do Pedral do Lourenço, previsto ainda para este ano. Apenas nos dois primeiros anos do atual governo, os investimentos públicos em hidrovias somaram R$ 767 milhões — 45% a mais do que o total aplicado no governo anterior.
O setor aeroportuário também tem colhido frutos significativos dos investimentos públicos e privados. Em 2024, foram concluídas 42 obras em aeroportos distribuídos por todas as regiões do Brasil, totalizando R$ 3,2 bilhões em investimentos — R$ 2,7 bilhões de concessões e R$ 509,6 milhões de recursos públicos e do setor privado. As melhorias incluem novas pistas e terminais que ampliam a capacidade operacional e tornam o transporte aéreo mais eficiente e acessível.
As entregas foram distribuídas da seguinte forma: 13 obras no Norte, 5 no Sul, 8 no Sudeste, 10 no Nordeste e 6 no Centro-Oeste. Para 2025, estão previstos mais R$ 3,4 bilhões em investimentos — sendo R$ 2,3 bilhões da iniciativa privada e R$ 1,1 bilhão do setor público.
Nos próximos dois anos, o Governo Federal pretende entregar mais 66 empreendimentos aeroportuários. Um dos destaques será a modernização e ampliação do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que deve receber investimentos de R$ 2,5 bilhões. Já o Aeroporto de Belém teve suas obras de expansão antecipadas em oito meses, com vistas à realização da COP30 — Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas — que será sediada na cidade. O investimento foi de R$ 470 milhões.
Até o fim de 2026, o total previsto para investimentos em aeroportos brasileiros é de R$ 9,7 bilhões. Para alcançar regiões com menor atratividade comercial, o Ministério de Portos e Aeroportos lançou, em dezembro de 2023, o programa AmpliAR, voltado à ampliação da malha aérea regional. A proposta permite que as concessionárias atuais administrem aeródromos estratégicos mediante reequilíbrio contratual, com foco especial na Amazônia Legal e no Nordeste.
Todos os aeroportos que farão parte do AmpliAR foram selecionados com base em critérios do Plano Aeroviário Nacional (PAN). A fase de consulta pública do programa contou com 192 manifestações, atualmente em análise pela Secretaria Nacional de Aviação Civil. O primeiro leilão está previsto para ocorrer ainda em 2025.
Além dos avanços físicos e econômicos, a infraestrutura brasileira tem passado por mudanças sociais importantes. Um exemplo é o programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista (TEA), lançado pelo MPor. A iniciativa busca oferecer suporte específico a pessoas neurodivergentes no transporte aéreo, começando pela instalação de salas multissensoriais nos principais terminais do país.
Esses espaços são equipados com estímulos visuais, táteis e auditivos pensados para proporcionar bem-estar e relaxamento. Atualmente, cinco aeroportos já contam com as salas: Recife (PE), Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ), Florianópolis (SC) e Vitória (ES). Até 2026, mais 20 unidades devem ser instaladas em aeroportos de todo o país.
O programa também inclui a capacitação de profissionais do setor aéreo, com o objetivo de promover um acolhimento mais qualificado. Além disso, os procedimentos de embarque e atendimento serão reavaliados com foco na humanização da experiência de passageiros com TEA.
No que diz respeito ao planejamento de longo prazo, o MPor lançou, no final de 2023, os Planos Setoriais para Hidrovias, Portos e Aeroportos. As diretrizes estabelecem metas até 2035 para os dois primeiros modais e até 2052 para o setor aeroviário. A proposta visa alinhar eficiência logística, desenvolvimento econômico e preservação ambiental, garantindo que a infraestrutura nacional esteja pronta para enfrentar os desafios das próximas décadas.
Esses planos servirão de base para políticas públicas mais assertivas, ajudando a coordenar investimentos e decisões regulatórias. Segundo o governo, o esforço conjunto entre União, estados, municípios e setor privado é essencial para garantir um Brasil mais moderno, justo e competitivo.
Com essa estratégia integrada e de longo prazo, o país não apenas melhora sua infraestrutura, mas também reafirma seu compromisso com a sustentabilidade, a inclusão social e o desenvolvimento regional equilibrado. O investimento recorde em portos, aeroportos e hidrovias transforma o presente e prepara o Brasil para liderar, com protagonismo, o futuro da logística global.
Foto: Vosmar Rosa/MPor

