O governo brasileiro fez um protesto formal na ONU contra a decisão dos Estados Unidos de negar vistos a participantes da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para o próximo dia 23, em Nova York. A reunião, realizada na última sexta-feira, teve como pauta principal o tratamento dado aos palestinos, que foram impedidos de entrar em território americano durante o evento.
Segundo integrantes do Itamaraty, na semana passada os Estados Unidos sinalizaram que podem restringir a entrada de membros da comitiva que acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem. A apenas uma semana da abertura da Assembleia, alguns pedidos de vistos seguem pendentes, entre eles o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Temos a indicação do governo americano de que os vistos que ainda não foram concedidos estão em vias de processamento”, declarou Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty. Ele destacou que os EUA têm a obrigação de permitir a entrada de representantes dos 193 países membros da ONU. “Não temos por que achar que os EUA não observarão os aspectos legais na concessão de vistos“, completou.
Viegas também alertou que a negativa de vistos pode configurar uma violação legal, caso em que o Brasil poderia recorrer a um procedimento arbitral para análise na ONU.
As relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos atravessam um momento de tensão. A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira, aumentou o atrito. Setores do governo americano ameaçam impor novas sanções a autoridades brasileiras, tendo como principal alvo o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
O ex-presidente Donald Trump já havia condicionado a negociação para eliminar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros ao arquivamento do processo contra Bolsonaro, o que não ocorreu.
Lula deve embarcar para Nova York no próximo fim de semana e permanecerá nos Estados Unidos até o dia 25. Na terça-feira, ele fará o discurso de abertura da Assembleia Geral, seguido pelo presidente americano. A agenda do presidente brasileiro inclui ainda eventos sobre democracia, mudanças climáticas e a criação do Estado palestino.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

