O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para viajar a Nova York na próxima semana, onde participará pela terceira vez, neste mandato, da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento é considerado uma das prioridades de sua agenda internacional. Em seus três mandatos como chefe do Executivo, Lula só deixou de comparecer à Assembleia em 2010, quando enviou o então chanceler Celso Amorim, por estar focado na campanha presidencial para eleger Dilma Rousseff.

Neste ano, Lula participará da reunião no dia 23 de setembro. Em 2025, sem eleições no horizonte, o encontro ganha ainda mais relevância, principalmente por anteceder a COP30, que será realizada em novembro, em Belém, no Pará. Pela primeira vez, a conferência sobre mudanças climáticas acontecerá no Brasil, e a expectativa é de que o país exerça protagonismo nas negociações internacionais relacionadas à preservação da Amazônia.

No dia 24, ocorrerá a Cúpula do Clima da ONU, onde os países devem apresentar propostas de redução de emissões de gases de efeito estufa e estratégias de adaptação às mudanças climáticas, conhecidas como NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas). Tradicionalmente, o Brasil abre a Assembleia Geral com seu discurso, papel que Lula desempenhou nos dois anos anteriores.

A viagem, no entanto, acontece em meio à pior crise diplomática recente entre Brasil e Estados Unidos. O governo do presidente Donald Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros como retaliação ao julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Além das barreiras comerciais, Washington revogou vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, bloqueando suas contas e transações financeiras com instituições sujeitas à legislação americana.

Em artigo publicado no “New York Times”, Lula enviou um recado direto a Trump: “O Brasil continua aberto a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos”. No entanto, ele fez uma ressalva, afirmando que “a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”.

Lula também defendeu a decisão do STF, classificada pelo governo norte-americano como uma “caça às bruxas”. O presidente destacou ter orgulho da “decisão histórica que salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito”. Bolsonaro e outros sete réus, apontados como integrantes do núcleo central da trama golpista, foram condenados pela Primeira Turma do STF. Após a sentença, Washington prometeu dar uma “resposta adequada” ao caso.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 


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