Menos de uma semana após receber o apoio de Romeu Zema (Novo) para o segundo turno das eleições de Belo Horizonte, o deputado estadual Bruno Engler (PL) tomou uma posição contrária ao governador na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na tarde desta quarta-feira, Engler votou contra o veto de Zema a um projeto que revisa o subsídio dos servidores públicos estaduais. A votação, no entanto, foi suspensa após apenas cinco parlamentares se manifestarem.
Apesar de ser parte da base governista, esta não é a primeira vez que Engler se opõe às decisões da gestão de Zema. A postura independente do deputado já havia sido um empecilho para receber o apoio do governador no primeiro turno das eleições, quando Zema optou por Mauro Tramonte (Republicanos).
Em um episódio de destaque, em outubro do ano anterior, Engler foi retirado da vice-liderança do governo após votar contra o aumento de 2% na alíquota de ICMS sobre produtos considerados “supérfluos”, como cerveja e smartphones. A medida, alvo de críticas dentro e fora do Parlamento, foi aprovada por uma margem estreita de 31 votos a 27, gerando desconforto entre aliados.
A relação entre o governador e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais é marcada por tensões, com o apoio de Zema fragmentado entre duas alas. Embora o governador conte com uma bancada de 57 dos 77 deputados estaduais, seu bloco de apoio é dividido: uma ala composta por 33 parlamentares fiéis, e outra com 24 deputados de nove partidos distintos, incluindo o PSD, que, até o momento, permanece como um dos aliados mais coesos do governo.
O cenário atual reflete o delicado equilíbrio político entre Zema e seus apoiadores, onde alianças são constantemente testadas. A decisão de Engler de contrariar o governador pode ter repercussões significativas para o futuro da sua relação política com Zema.
Foto: Foto: Guilherme Dardanhan

