O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), classificou como “excesso” a operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação de Caiado, medidas como a imposição de tornozeleira eletrônica são desproporcionais e não condizem com o que chamou de regime democrático. “Respeito decisões judiciais, mas há limites. Julgar é papel da Justiça, vingar não. O Supremo julga, não vinga. Não se pode impor esse tipo de humilhação a quem sequer foi condenado”, afirmou o governador em pronunciamento na terça-feira, 23 de julho.
Caiado também criticou a utilização da tornozeleira, declarando que “tornozeleira se coloca em criminoso em progressão de pena, não em liderança política com atuação pública”. E completou: “Colocar tornozeleira em um ex-presidente que não tem condenação, não responde criminalmente e sempre se colocou à disposição da Justiça? Isso é um absurdo”.
Enquanto permanece recluso e sob risco de novas punições, Bolsonaro tem evitado manifestações públicas diretas, aguardando um pronunciamento de Moraes sobre possíveis desdobramentos da cautelar. Mesmo sem falar, o ex-presidente segue ativo nos bastidores. Nesta quarta-feira, ao menos sete aliados políticos se reuniram com ele na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, onde Bolsonaro passou o dia. Coube a esses interlocutores verbalizar críticas ao STF e ao ministro Moraes. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, inclusive protocolou um novo pedido de impeachment contra Moraes.
Segundo relatos de aliados próximos, Bolsonaro “está bem, sem medo” e tem recebido visitas constantes desde o início da semana. A expectativa é que ele permaneça na sede do partido até o início da noite, retornando em seguida para casa, como determinam as medidas cautelares. O almoço foi novamente servido por um buffet no local.
Sem autorização para se manifestar publicamente, Bolsonaro tem delegado o discurso a parlamentares e figuras de destaque no campo bolsonarista. A tensão que existia entre aliados nos primeiros momentos após o suposto descumprimento da cautelar diminuiu com a ausência de novas ordens de prisão por parte de Moraes. Agora, os aliados aguardam que o ministro apenas mantenha as sanções já aplicadas.
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