A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou nesta terça-feira (3) o orçamento do município para 2025, com uma derrota para o prefeito Fuad Noman (PSD). Os vereadores acataram todas as 1.346 emendas apresentadas, tanto por aliados quanto pela oposição, alterando a destinação dos recursos inicialmente planejada pela prefeitura.
Entre as mudanças aprovadas estão 1.008 emendas impositivas, que somam R$ 191,6 milhões e destinam recursos obrigatórios para infraestrutura de centros de saúde, instituições sociais e culturais, e custeio de unidades hospitalares. Essas alterações são de execução obrigatória pelo Executivo.
A votação expôs divisões internas na base do governo. Um embate notável envolveu o líder do governo, Bruno Miranda (PDT), e o vice-líder, Wagner Ferreira (PV). Uma emenda de R$ 44,7 milhões, apresentada por Ferreira, foi aprovada apesar do encaminhamento contrário de Miranda. Os recursos serão destinados à efetivação de guardas municipais ainda não nomeados, retirando R$ 18 milhões do orçamento de divulgação institucional do município.
Vereadores de oposição, como Marcela Trópia, Fernanda Altoé e Braulio Lara, do partido Novo, também tiveram emendas aprovadas. Trópia destacou que as mudanças representarão um desafio significativo para o prefeito Fuad. “O governo precisará de muito jogo de cintura para lidar com todas essas emendas aprovadas”, afirmou.
O orçamento para 2025 prevê receitas e despesas de R$ 22,6 bilhões. A saúde será a principal beneficiada, com R$ 7,3 bilhões (32,3%), seguida pela educação, com R$ 3,9 bilhões (17,25%), e pelo pagamento de aposentadorias e pensões, que consumirão R$ 2,2 bilhões (9,7%).
A sessão também evidenciou movimentos políticos relevantes. O vereador Juliano Lopes (Podemos), ligado à “Família Aro” e candidato único à presidência da Câmara em 2024, elogiou a emenda de Wagner Ferreira. Esse gesto foi interpretado como uma possível aproximação entre a “Família Aro”, hoje alinhada ao governo, e o grupo político do prefeito.
Se o prefeito optar por vetar as emendas, os vetos voltarão à Câmara para análise, podendo ser mantidos ou derrubados. A disputa reflete a complexidade das articulações políticas que permeiam a administração municipal e a relação entre os poderes.
Foto: Tatiana Francisca/CMBH

