
Iniciativa posiciona o estado como destino nacional do frio, com experiências que unem gastronomia, montanhas, cultura e hospitalidade . Lançada em 2024, a campanha Inverno em Minas posiciona o estado como destino nacional do frio, com experiências que unem gastronomia, montanhas, cultura e hospitalidade. Em 2025, foram destacados três territórios: a Cordilheira do Espinhaço; a Mantiqueira de Minas, na qual o distrito de Monte Verde está incluído, e o Caparaó Mineiro.
A Feira Nacional de Destinos Turísticos de Inverno é uma realização conjunta da Secult-MG, Prefeitura de Camanducaia e Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região (Move) e reúne representantes de destinos brasileiros de clima frio, gestores públicos, empresários do setor, especialistas e profissionais do trade turístico. A expectativa é atrair cerca de 1.500 pessoas nos três dias de evento. Paralelo à feira, acontece também o 3º Seminário Move de Desenvolvimento Sustentável do Turismo de Camanducaia.
Foto: Karla Rates

Estande no evento
O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), apresenta no segundo dia da Feira Nacional de Destinos Turísticos de Inverno — que acontece até esta quarta-feira (26/11), em Monte Verde — a campanha Inverno em Minas. A palestra será ministrada por Gabriel Braz, técnico da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), na Sala Sebrae, um dos espaços dedicados às conferências.
A cerimônia de abertura começou com uma mensagem em vídeo do ex-secretário Leônidas Oliveira exibida em telão, desejando sucesso à feira que nasceu em sua gestão à frente da secretaria. Na abertura do dia 24 de novembro, a secretária-adjunta de Estado de Cultura e Turismo, Josiane de Souza, apontou, em uma palestra, os pontos positivos e negativos da sazonalidade, ressaltou a importância do equilíbrio entre oferta e procura e apontou como solução para o problema mais comum entre os destinos turísticos o trabalho conjunto entre empresários, comunidade e poder público por meio de planejamento e estratégias definidas.
Foto: Karla Rates

Secretária Josiane de Souza
Para a secretária-adjunta, o combate à sazonalidade passa pela diversificação dos produtos turísticos, um calendário anual e estruturado de eventos, o foco na segmentação de mercado, um marketing econômico, a integração das rotas turísticas da região e um maior investimento em infraestrutura e qualificação de mão de obra. Ela citou cases de sucesso como Tirol, nos Alpes Austríacos, Québec, no Canadá, e Hokkaido, no Japão.
A gestora foi aplaudida ao dar a melhor notícia da noite para um auditório lotado. “Já pensando na temática do festival do próximo ano, além do combate à sazonalidade, a gente tem que voltar à questão da inovação. O Governo de Minas não começa nada dando nome de primeiro para ser o único, se é o primeiro é porque virão outros”, disse.
Josiane enfatizou que, pela primeira vez, a Fecitur (Federação das Instâncias de Governança Regionais de Minas Gerais) está colocando recursos via incentivo e em parceria com a Codemge nas 48 IGR, com investimento de R$ 100 mil para cada uma trabalhar a estruturação dos destinos. Ela ainda citou programas de incentivo, como ICMS Turismo e o ICMS Patrimônio Cultural, nos quais foram aplicados quase R$ 280 milhões/anuais em políticas continuadas.

No fogão à lenha com as chefs – O estande foi aberto na mannã do dia 25 de novembro com a Mesa Mineira, uma parceria com o Instituto Mundu, com degustação de produtos típicos de diversas regiões do estado, como quitandas, quitutes e doces. Em seguida, a Cozinha Viva traz a chef Jéssica Tamara Sales, do buffet Arte de Cozinhar, de Casa Branca, em Brumadinho, preparando um ragu de rabada acompanhado de uma salada de agrião e angu à mineira no fogão à lenha.
“Trago em forma de arte a culinária e a força de uma cidade que está tentando se levantar após uma tragédia. Eu represento os familiares, os vizinhos, os amigos que perderam seus entes queridos”, afirma a chef, que hoje trabalha com eventos na região de Casa Branca.
Já a chef Sônia Kohen, da Villa Donna Bistrô — vencedora na categoria Prepara Gastronomia na terceira edição do Prêmio do Cumbucca de Gastronomia e proprietária de um dos restaurantes mais conceituados do distrito de Camanducaia, o Villa Dona Bistrô — vai preparar uma polenta com ragú de linguiça e risoto com fraldinha confit.
Cleide Maria da Cruz, do Café da Cleide, parada obrigatória dos viajantes no povoado de Casa Branca, começou a trajetória na gastronomia vendendo broa de fubá, receita que colocará para ser degustada pelos participantes da feira. A broa é feita com milho fresco e queijo Minas. Além da iguaria, ela traz seus famosos bolos, como o Encantado, de mexerica.
“Quando comecei, tinha dois ingredientes, milho e mexerica, dois carros-chefes do Café da Cleide”, conta. Há 13 anos, ela encanta os brumadenses com seus quitutes, como biscoitos fritos, bolinhos de chuva, pães de batata, tortas salgadas e doces, broinha de canjica etc. “Nesta feira, eu estou aprendendo muito, porque é uma experiência nova”, conta. O Café da Cleide faz parte da Rota do Capitão Senra, percurso turístico de mototurismo de Minas.
Palestras – Entre os destaques das palestras desta terça-feira (25/11) estão “Destinos Inteligentes: Planejamento Urbano para o Turismo Saudável”, como Márcio Luiz Oppitz Ribas, da M.R. Arquitetura e Paisagens; “Como os Parques de Diversão, Natureza e Entretenimento Podem Combater a Sazonalidade nos Destinos Turísticos”, com Márcio Clare Carvalho, CEO do Parque da Terra dos Dinos, e “Gestão Sustentável de Atrativos Turísticos”, com Ronaldo Paes, diretor da Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região (Move).
Talvez eu tenha aberto meus olhos no escuro e olhado

Centro Interescolar de Cultura, Arte, Linguagens e Tecnologias
Livremente inspirado no livro da autora colombiana María Ospina Pizano, “Talvez eu tenha aberto meus olhos no escuro e olhado” estreia dia 29 de novembro.
Foto: Pablo Bernardo

Encerrando o segundo semestre de 2025, a turma de teatro da noite do Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART) apresenta, no dia 29 de novembro, um espetáculo que reflete sobre a coletividade e a migração. “Talvez eu tenha aberto meus olhos no escuro e olhado” possui duas inspirações: o livro “Só um pouco aqui”, da escritora colombiana María Ospina Pizano, e um acontecimento de 2023, em que um navio com mais de 400 migrantes ficou à deriva no Mar Mediterrâneo, localizado entre o Norte da África e a Europa. Com direção e dramaturgia original assinadas por Anderson Feliciano, Mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a peça narra a história de um grupo de trezes pessoas que decide partir, coletivamente, da sua terra natal. As apresentações vão até o dia 6 de dezembro, sempre às 19h30, no Centro Interescolar de Cultura, Arte, Linguagens e Tecnologias (CICALT), localizado no bairro Horto. A entrada é gratuita, com retirada de 30% dos ingressos no Eventim e o restante no CICALT, uma hora antes do espetáculo.
O espetáculo une as linguagens das dramaturgias e das artes visuais, em uma cena-instalação que será ativada pelos corpos que migram constantemente pelo espaço. A proposta dramatúrgica dá continuidade às pesquisas do diretor sobre dramaturgia-arquipélago e é composta por um prólogo e seis ilhas (que constituem seis cenas) que não possuem necessariamente uma lógica linear, mas apresentam uma progressão temática que questiona quem pode migrar e quais são os limites e os desejos que movem esse gesto. No palco, alguns elementos se destacam: escadas, mantas felpudas e um bote inflável. Esses materiais evocam um simbolismo da migração, mas passam a agregar outros sentidos por meio da interação dos personagens. As mantas, por exemplo, surgem com o objetivo de abrigar, mas também têm a capacidade de ocultar, generalizar e descaracterizar. A utilização de figurinos largos e confortáveis também auxiliam, de forma visual, a conexão com o tema.
O espetáculo “Talvez eu tenha aberto meus olhos no escuro e olhado” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e da ArcelorMittal, Patrocínio da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 50 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
As facetas da migração — Em 2024, a Agência da ONU para as Migrações (OIM) publicou um relatório indicando que há aproximadamente 281 milhões de migrantes internacionais em todo o mundo, por motivos variados. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), por sua vez, levantou que até junho de 2025 mais de 117,3 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a se deslocar devido a perseguições, conflitos, violência, violações de direitos humanos e eventos que perturbaram seriamente a ordem pública.
Com um trânsito em cidades do Brasil e outros países da América Latina, Anderson Feliciano tem tratado a questão da migração de forma frequente em seus trabalhos. “Tem sido recorrente na elaboração de minha poética questões relacionadas à migração. Ser um artista em movimento muitas vezes me coloca nessa condição. Quando fui convidado pela turma para fazer direção e dramaturgia do trabalho de formatura, acreditei que elaborar poética e coletivamente temas urgentes e necessários relacionados à migração, tais como fronteiras, direito de ir e vir, quais corpos podem cruzar fronteira e ainda sobre a possibilidade de fabular novos modos de nos relacionarmos, poderia ser importante para um coletivo de artistas em formação. Já diria Nina Simone que o artista precisa refletir sobre questões de seu tempo”, conta Anderson.
A obra não delimita um motivo específico que tenha provocado a partida do coletivo , o que fez com que os próprios intérpretes tentassem preencher essa lacuna a fim de compreender os personagens e as cenas que são narradas, fazendo com que a turma participasse ativamente na criação da obra. Entretanto, Isis Brasil, discente do terceiro ano da turma de teatro da noite, ressalta que a migração causada por conflitos possui estreita ligação com a produção. “Na peça, falamos sobre um grupo que decide migrar coletivamente. O Anderson trouxe muito a reflexão sobre os animais que migram sazonalmente e como esse movimento, instintivamente, acontece em grupo. Embora não especifique a migração causada por conflitos, essa realidade está intrínseca à obra. Uma das imagens que utilizamos como referência para a construção da nossa cena-instalação é um vídeo de um grupo de migrantes em um barco que ficou à deriva no Mar Mediterrâneo em 2023. Infelizmente, essa é uma situação recorrente para pessoas refugiadas”, afirma Iris.
CEFART – O Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART), da Fundação Clóvis Salgado, é responsável por promover a formação em diversas linguagens no campo das artes e em tecnologias do espetáculo. Referência em formação artística, o CEFART possui amplo e inovador Programa Pedagógico para profissionalizar e inserir jovens talentos no mercado de trabalho da cultura e das artes. Diversas gerações de artistas e técnicos foram formadas ao longo dos quase 40 anos de atividades, com forte impacto no fazer artístico de Minas Gerais. São oferecidas, gratuitamente, oportunidades democráticas de acesso à formação cultural diversa, por meio de Cursos Técnicos, Básicos, de Extensão e Complementares, com grande repercussão social.
FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro constituem alguns dos campos onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Palácio da Liberdade, espaços geridos pela FCS. A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). A Fundação Clóvis Salgado é responsável, ainda, pela gestão do Circuito Liberdade, do qual fazem parte o Palácio das Artes, Palácio da Liberdade e a CâmeraSete. Em 2021, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todas as pessoas.
Livremente inspirado no livro da autora colombiana María Ospina Pizano, “Talvez eu tenha aberto meus olhos no escuro e olhado” estreia dia 29 de novembro
Espetáculo “Talvez eu tenha aberto meus olhos no escuro e olhado”
Data: 29 de novembro a 6 de dezembro
Horário: 19h30
Local: CICALT – Centro Interescolar de Cultura, Arte, Linguagens e Tecnologias
Rua Santo Agostinho, 1441, Horto, Belo Horizonte
Classificação indicativa: 16 anos
Entrada gratuita, com retirada de 30% dos ingressos no Eventim e o restante no CICALT, uma hora antes do espetáculo. Informações https://fcs.mg.gov.br
Coluna Minas Turismo Gerais
Jornalista Sérgio Moreira @sergiomoreira63
Informações para [email protected]

