Uma campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher passou a ocupar aeroportos de todo o país a partir desta segunda-feira, com a exibição de vídeos curtos, painéis informativos e mensagens educativas que divulgam canais oficiais de denúncia. A iniciativa, intitulada “Assédio Não Decola, Feminicídio Também Não”, foi lançada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em São Paulo, e busca transformar espaços de circulação intensa em pontos de alerta, acolhimento e orientação.

As peças da campanha exploram situações simbólicas e cotidianas. Em um dos vídeos, uma mulher aparece segurando o passaporte, com expressão apreensiva, enquanto a locução afirma: “Todo aeroporto promete destino, mas algumas partidas não chegam quando o medo ocupa o lugar da esperança. Não é viagem, é silêncio”. A mensagem associa o ambiente de deslocamento à urgência de romper ciclos de violência invisibilizada.

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a principal meta da campanha é ampliar o acesso à informação e facilitar a identificação de situações de risco. Segundo ele, a presença visível dos canais Disque 100 e Disque 180 pode estimular denúncias e orientar mulheres a buscar ajuda. “Essa campanha estará nos nossos aeroportos, nos aviões, nas mãos dos profissionais”, afirmou, ao destacar o envolvimento de trabalhadores do setor na difusão das mensagens.

A iniciativa responde aos dados recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, que apontou 2024 como o ano com maior número de feminicídios desde a tipificação do crime, há uma década. No período, 1.492 mulheres foram assassinadas, em sua maioria por companheiros ou ex-companheiros, revelando a persistência da violência doméstica e de gênero no país.

Além do ministério, a campanha conta com a participação da Agência Nacional de Aviação Civil e da Associação Brasileira das Concessionárias de Aeroportos, que atuarão de forma integrada com a Polícia Federal. O objetivo é garantir não apenas a divulgação das mensagens, mas também a vigilância e a pronta resposta a situações de assédio e violência nos terminais.

“Nos aeroportos, contaremos com a fiscalização por meio de câmeras e com o trabalho da Polícia Federal para evitar todo tipo de violência e assédio. E conto com as concessionárias para se envolverem na divulgação da campanha, para que possamos, de maneira coletiva, atuar a favor das mulheres do Brasil”, explicou o ministro.

Para a gerente do Programa Mulheres na Aviação, da Anac, a campanha dialoga com ações já em curso no setor, voltadas à promoção do respeito, da equidade e da dignidade. “Enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade de todos nós. Que essa campanha ajude a salvar vidas, fortaleça redes de apoio e deixe claro que a violência contra a mulher não pode seguir adiante”, afirmou.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


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