O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, declarou ser inocente durante depoimento à CPI do INSS, realizado nesta quarta-feira no Senado. Em sua fala inicial, afirmou que sua prisão preventiva, decretada no dia doze de setembro, foi baseada “em mentiras”. Ele é apontado como um dos principais operadores do esquema de fraudes e desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa oitiva era uma das mais aguardadas pela comissão, que já havia tentado ouvi-lo em outras ocasiões, sem sucesso. É a primeira vez que o empresário fala publicamente sobre o caso. Na última segunda-feira, Antunes prestou depoimento à Polícia Federal (PF) e negou qualquer irregularidade em suas atividades relacionadas ao órgão.
“Desde o início, mantive uma defesa técnica, disponibilizei meus endereços e sempre estive à disposição para colaborar. Sou o maior interessado em esclarecer os fatos. Um indivíduo com quem mantive relações comerciais furtou veículos de minha propriedade e espalhou inverdades. As premissas que embasaram minha prisão são equivocadas. Sou empreendedor nato e não tenho qualquer relação com governos, sejam eles municipais, estaduais ou federais”, declarou Antunes em tom enfático.
Antunes chegou ao Senado escoltado por agentes da PF, vindo da cela onde está preso em Brasília. Ele foi respaldado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante seu direito ao silêncio, com base no princípio do “nemo tenetur se detegere”, que protege o investigado de se auto incriminar. Segundo ele, responderá às perguntas feitas pelos parlamentares, mas se recusará a responder ao relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). “O relator já me chamou de ladrão em depoimentos anteriores, mostrando-se tendencioso. Por isso, não responderei a ele”, afirmou.
Os parlamentares devem questioná-lo sobre sua suposta “influência política” e “capacidade financeira e intimidatória”, argumentos apresentados pela PF para justificar sua prisão durante a Operação Sem Desconto. Embora nunca tenha ocupado cargo no INSS, Antunes é apontado como lobista que obtinha vantagens junto a servidores do órgão e intermediava interesses de entidades investigadas. Também é suspeito de lavar dinheiro por meio de dezenas de empresas ligadas a seu nome.
Documentos sigilosos da PF listam onze veículos relacionados a Antunes, incluindo quatro Porsches, quatro BMWs e três motocicletas de alto valor. Outro relatório revela quarenta registros de entrada e saída do país, com vinte viagens internacionais entre dois mil e vinte e três e dois mil e vinte e quatro, principalmente para a Europa e os Estados Unidos. A PF sustenta que ele chegou a adquirir uma casa nos Estados Unidos e planejava viajar para o exterior próximo à deflagração da operação, o que foi interpretado como risco de fuga.
De acordo com o inquérito, pessoas e empresas ligadas a Antunes receberam vinte e cinco milhões e quinhentos mil reais de associações e intermediários envolvidos no suposto esquema. Entre as transações suspeitas, consta uma transferência de cem mil reais destinada a um secretário municipal no Maranhão. A investigação aponta ainda que nove milhões e trezentos mil reais foram repassados a pessoas vinculadas a servidores do INSS no mesmo período.
Antunes também deverá esclarecer a criação de uma empresa offshore em seu nome nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal conhecido por práticas de ocultação de recursos. Segundo a PF, a coincidência temporal com o esquema da chamada “farra do INSS” e as transações de alto valor reforçam a suspeita de que a estrutura foi usada para mascarar a origem ilícita do dinheiro. Procurada, a defesa do empresário afirmou que só se manifestará nos autos do processo.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

