Presa na Itália e participando por videoconferência de uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) afirmou nesta quarta-feira que tem enfrentado dificuldades até mesmo para se expressar em português. “Estou muito tempo sem falar português porque não tenho ninguém aqui para falar e tem termos que não lembro e não soube te falar. Mas tenho certeza que meus colegas vão saber me defender aí”, declarou a parlamentar.

A fala ocorreu após questionamento do relator, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR). Durante a sessão, Zambelli descreveu um pouco de sua rotina na prisão e contou que iniciou aulas de alfabetização em italiano. “Essa semana acabei de mudar de cela. A porta fica meio aberta e dá para conversar com outras pessoas. Agora, estou fazendo aulas de alfabetização em italiano, para melhorar meu italiano. Estou com uma crise de fibromialgia muito forte e aqui eles só têm ibuprofeno. Eu usava morfina no Brasil. As pessoas que conheciam a Carla que anda e era ativa… Aqui pareço uma velha”, afirmou.

A deputada também voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que resultou em sua condenação no Supremo Tribunal Federal (STF). Ela disse estar “exilada” e demonstrou confiança de que será solta em breve. “Eu não estou foragida, estou exilada. Estou em prisão administrativa, não por um crime que cometi aqui na Itália. Estou tranquila por saber que em breve não estarei mais presa, estarei em liberdade”, disse, acrescentando que o mandado de prisão assinado por Moraes é tratado como “broma” pelas autoridades italianas.

Quando questionada sobre um relatório da Polícia Federal, Zambelli afirmou não se recordar. “Como estou aqui na prisão há 56 dias, minha memória não alcança. Teria que perguntar ao advogado”, explicou.

A audiência faz parte do processo que poderá levar à cassação de seu mandato. Antes dela, o colegiado já ouviu o hacker Walter Delgatti e o perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Zambelli foi condenada por participar da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na tentativa de adulterar documentos oficiais. Atualmente, sua vaga é ocupada pelo suplente Coronel Tadeu (PL-SP). A decisão final sobre a cassação caberá ao plenário da Câmara e exigirá maioria absoluta dos votos.

Foto: Luísa Marzullo

 


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