O pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro reagiu neste sábado às críticas feitas pelo deputado Nikolas Ferreira e aprofundou o embate público dentro do campo bolsonarista. Em publicação nas redes sociais, Carlos afirmou que “grupo não se faz de oportunistas” e declarou que o Brasil “merece mais”, em resposta à reação de Nikolas sobre a proposta de mapear aliados que não promovem a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.

Carlos sustentou que sua iniciativa busca levar o tema à executiva do partido para corrigir posturas de integrantes que, segundo ele, não demonstram apoio suficiente ao projeto político defendido pela família Bolsonaro. Também afirmou que, para vencer, é necessário marcar posição, comunicar e “vestir a camisa”, cobrando manifestações públicas de correligionários.

A reação ocorreu após Nikolas dizer que vem sendo provocado há anos e afirmar que há limites para esse tipo de disputa. O parlamentar mineiro argumentou que apoio político não se resume a publicações em redes sociais, mas passa pela conquista de votos, ideias e trabalho político efetivo.

O episódio ampliou um desgaste que já vinha sendo exposto por Eduardo Bolsonaro. No início do mês, Eduardo publicou críticas duras a Nikolas, acusando o deputado de desrespeitar sua família e de se afastar da postura que, segundo ele, tinha anteriormente.

A divergência ganhou novos contornos após disputas em torno de publicações envolvendo o perfil Space Liberdade e manifestações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo criticou compartilhamentos feitos por Nikolas e questionou a coerência de grupos que, em sua avaliação, pedem união da direita, mas não apoiariam Flávio em eventual disputa presidencial.

Em entrevista recente, Nikolas afirmou sofrer ataques unilaterais e disse que há setores que se consideram mais bolsonaristas do que o próprio Bolsonaro. Também criticou o que chamou de grupos especializados em afastar aliados.

Nos bastidores, o conflito é visto como sintoma de disputa por influência e protagonismo no campo conservador, especialmente diante dos movimentos para 2026. O embate também expõe divergências sobre estratégia digital, disciplina partidária e sucessão política.

Aliados de ambos os lados tentam minimizar a crise, mas reconhecem que o confronto público produz desgaste num momento em que lideranças da direita buscam discurso de unidade. A troca de críticas, contudo, reforça fissuras internas e amplia incertezas sobre alinhamentos futuros dentro do PL e do entorno bolsonarista.

Apesar das tensões, interlocutores avaliam que o núcleo político ligado ao ex-presidente tentará conter novos atritos e evitar que a disputa interna comprometa articulações eleitorais em curso. Ainda assim, o episódio revelou diferenças que vinham sendo tratadas reservadamente e agora ganharam dimensão pública.

Foto: Renan Olaz/CMRJ


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