O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, intensificou articulações com senadores nos dias que antecedem sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça para a vaga no Supremo Tribunal Federal. Em busca de apoio para aprovação no Senado, Messias ampliou conversas com parlamentares e reforçou preparação para responder temas sensíveis, como Banco Master, relações entre Judiciário e Legislativo, anistia e aborto.
Segundo aliados, o ministro calcula ter dialogado com cerca de 75 senadores e trabalha para consolidar apoio superior ao mínimo de 41 votos necessários. Nos bastidores, interlocutores projetam entre 46 e 48 votos, embora alguns mencionem potencial de até 60 apoios.
A estratégia incluiu ensaios para a sabatina, com simulações sobre questionamentos que podem surgir no colegiado. Auxiliares orientaram respostas em tom institucional, evitando confrontos com o Congresso e reforçando perfil conciliador. Em conversas reservadas, Messias defendeu postura menos intervencionista da Corte em temas legislativos e sustentou que debates sobre ampliação das hipóteses legais de aborto cabem ao Parlamento.
As articulações também alcançaram nomes da oposição, por telefone, reuniões presenciais e mensagens. A avaliação entre aliados é que o esforço recente busca reduzir resistências e evitar surpresas na votação.
Apesar do avanço, a ausência de encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é tratada como ponto de atenção. Interlocutores avaliam que uma reunião poderia sinalizar maior previsibilidade ao desfecho.
A aproximação esfriou após a participação de Messias em jantar organizado pelo senador Lucas Barreto, adversário político de Alcolumbre no Amapá. O grupo já havia promovido encontro com dezenas de senadores que ajudou a impulsionar a indicação na fase inicial.
Integrantes do governo chegaram a discutir uma agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias e Alcolumbre antes da sabatina, mas a hipótese perdeu força diante do calendário apertado.
A expectativa é que a sabatina concentre debates técnicos e políticos, com atenção para posicionamentos sobre prerrogativas institucionais e temas sensíveis. O entorno do ministro aposta que a combinação entre moderação, articulação e redução de ruídos pode ser decisiva para garantir aprovação no plenário do Senado.
Foto: Renato Menezes/AscomAGU

