O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), comunicou nesta sexta-feira (19) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o governo federal. A decisão foi tomada após o ultimato dado pelo União Brasil, que antecipou o movimento de desembarque da Esplanada e determinou que todos os filiados entregassem seus cargos em até 24 horas.
A reunião entre Sabino e Lula ocorreu no Palácio da Alvorada e durou cerca de uma hora e meia. Durante a conversa, o ministro explicou os motivos da decisão, ressaltou que ainda tem agendas importantes a cumprir e informou que, assim que Lula retornar de sua viagem a Nova York, apresentará formalmente sua carta de demissão. O presidente embarca no domingo para participar da Assembleia Geral da ONU e volta ao Brasil na quinta-feira (25).
O União Brasil havia inicialmente estabelecido que entregaria os cargos no final do mês, mas decidiu acelerar o processo. Uma normativa publicada na quinta-feira prevê sanções internas aos filiados que não pedirem exoneração, incluindo a abertura de processos disciplinares.
Celso Sabino vinha desempenhando papel de destaque no governo, especialmente na coordenação dos preparativos para a COP 30, que será realizada em Belém, em novembro. Apesar da pressão do partido, ele demonstrava interesse em permanecer no cargo e chegou a sugerir a Lula, no início de setembro, a possibilidade de se licenciar da legenda para evitar conflitos internos.
O desejo de Sabino de continuar no ministério está diretamente relacionado às suas pretensões políticas para 2026. Deputado federal eleito pelo Pará, ele planeja concorrer a uma vaga no Senado em chapa com o governador Helder Barbalho (MDB). Segundo aliados, Lula já teria sinalizado apoio à candidatura. Em 2022, o presidente venceu no estado com 54% dos votos.
Mesmo com o anúncio de saída do governo, o União Brasil ainda mantém presença na Esplanada. Celso Sabino é uma indicação da bancada da Câmara, enquanto os ministros Waldez Góes (Integração Nacional) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações), ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não serão afetados pelo movimento do partido, mantendo-se nos cargos.
A saída de Sabino marca um momento de tensão na relação entre o governo e o União Brasil, evidenciando o impacto das disputas partidárias na composição ministerial.
Fotos: Roberto Castro/Mtur

