O número de pessoas em situação de rua em Belo Horizonte começa ser coletado a partir desta quarta-feira (19), com a realização de um censo. O levantamento deve ser feito até sexta-feira (21). O projeto da prefeitura, em parceria com a UFMG, leva o nome de Censo Pop Rua e espera atender até 9 mil pessoas.

Segundo o professor e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (Naves), da UFMG, Frederico Garcia, mais de 300 pessoas, divididas em 24 equipes, irão realizar os trabalhos em 1,9 mil pontos de BH, das 10h à 0h.

Os responsáveis estarão identificados com crachás azuis e coletes verdes. “Vamos fazer um esforço de entregar uma prévia desses dados em até 20 dias para que a prefeitura possa divulgar um perfil básico. Ao longo dos próximos meses vamos construir e analisar esses dados e isso vai virar um livro que depois será amplamente divulgado pela prefeitura”, disse o professor, que participou de uma coletiva sobre o lançamento da ação, nesta terça (18), na sede da PBH.

Amanhã, os profissionais vão até as regionais Centro-Sul e Leste. Nos dias 20 e 21, os trabalhos serão estendidos para toda a cidade. O resultado final não tem data para ser divulgado.

O prefeito Fuad Noman (PSD) acrescenta que o estudo vai mostrar em quais condições essa população vive. “Quem são? Quantos são? Por que estão na rua? Precisamos dessas respostas para saber como conduzir nossas políticas públicas”, disse o prefeito.

O último censo realizado pela PBH com a UFMG ocorreu em 2013. Na época, cerca de 2 mil pessoas viviam nas ruas na capital. Sem dados atualizados, a prefeitura utiliza atualmente os números do CadÚnico.

Com o resultado do censo, a PBH espera facilitar a gerência de recursos financeiros que são destinados para a Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, que cuida das políticas sociais na capital. Atualmente, BH tem 20 abrigos com mais de 2 mil vagas para pessoas em situação de rua.

Programa ‘Estamos Juntos’

Fuad também divulgou detalhes sobre o programa Estamos Juntos. O projeto visa a recolocar os moradores em situação de rua no mercado de trabalho.

São pessoas que estão nesta situação por algum motivo e não porque querem. Algumas porque na pandemia perderam o emprego e a moradia. O programa vai criar oportunidades para essa pessoa e fazer uma readaptação ao mercado de trabalho” disse Fuad.

O programa vai aumentar o número de atendimentos realizados pela PBH em até 1000%. Quem for até um abrigo, irá passar por uma triagem e entrar para o banco de dados onde empresas cadastradas no projeto podem realizar as contratações, intermediadas pela prefeitura. Também serão realizados trabalhos de capacitação. Ele começa em janeiro e terá um investimento de R$ 3 milhões.


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