Em 2025, deputados federais e senadores enfrentarão maior vigilância sobre o uso do orçamento secreto. A Controladoria-Geral da União (CGU) implementará uma fiscalização permanente sobre esses repasses bilionários de dinheiro público, marcados por baixa transparência. O planejamento dessa medida foi homologado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Anteriormente, a CGU realizava auditorias apenas pontuais. No entanto, decisões recentes de Dino alteraram esse cenário, causando desconforto entre parlamentares, temerosos de perder capital político. Nas eleições municipais de 2024, nove em cada dez prefeitos das cidades que mais receberam emendas Pix foram reeleitos.

No mês passado, Dino suspendeu o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares, pediu à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito e bloqueou repasses a entidades que não cumprem critérios de transparência. Um relatório da CGU revelou que, entre 26 organizações auditadas, apenas quatro (15%) cumpriam os requisitos adequados para a gestão de recursos indicados por parlamentares.

A fiscalização contínua da CGU pode desencadear novas investigações de grande repercussão. Recentemente, alertas técnicos levaram a uma operação da PF contra o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. A ação resultou na apreensão de R$ 3,4 milhões em espécie, 23 carros de luxo, três aeronaves, três barcos e joias. Outro alvo foi o vereador Francisco Nascimento, que jogou dinheiro pela janela antes de ser detido. Ele é primo do deputado Elmar Nascimento (União-BA), que não é investigado no caso. Todos os envolvidos negam irregularidades.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 


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