O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta segunda-feira que a soberania nacional “não é moeda de troca” e denunciou o que classificou como “ataques orquestrados por brasileiros em conluio com forças estrangeiras”. Sem mencionar nomes diretamente, o chanceler fez uma crítica explícita à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e à recente pressão exercida pelos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump.
Em 9 de julho, Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre a maioria das exportações brasileiras. Segundo declarações do presidente norte-americano, a medida estaria vinculada à exigência de que o Brasil suspenda o processo que tramita no Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro. Nos bastidores, o deputado Eduardo Bolsonaro tem atuado nos Estados Unidos em defesa de sanções contra ministros do STF, como Alexandre de Moraes, que foi recentemente alvo de medidas americanas.
“Tenho enorme orgulho e sentido de responsabilidade na atual tarefa de liderar o Itamaraty na defesa da soberania brasileira de ataques orquestrados por brasileiros em conluio com forças estrangeiras. Nesse ultrajante conluio que tem como alvo a nossa democracia, os fatos e a realidade brasileira não importam para os que se erigem em veículo antipatriótico de intervenções estrangeiras”, declarou Vieira durante evento oficial.
O ministro destacou que o Brasil vive o mais longo período de estabilidade democrática de sua história republicana, com mais de quatro décadas de liberdades civis e políticas. “Nos últimos 40 anos, o país resolveu pacificamente crises políticas e avançou em áreas como o combate à inflação, a modernização econômica e o enfrentamento das desigualdades sociais e regionais”, pontuou.
Vieira também mencionou diretamente a tentativa de golpe atribuída a Bolsonaro. “Sejamos claros: nossa sociedade democrática e suas instituições derrotaram uma tentativa de golpe militar, cujos responsáveis estão hoje no banco dos réus, em processos transparentes, transmitidos pela TV em tempo real, com direito à ampla defesa e com pleno respeito ao devido processo legal”, afirmou. E concluiu: “Saudosistas declarados do arbítrio e amantes confessos da intervenção estrangeira não terão êxito”.
Na última quinta-feira, o chanceler se reuniu em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo Vieira, foi a primeira conversa direta entre os responsáveis pelas diplomacias de Brasil e Estados Unidos desde a posse de Trump, em janeiro. Após o encontro, ele afirmou ter deixado claro ao representante americano que o Brasil “é um país independente e não se curva a pressões externas”.
Por fim, Mauro Vieira classificou como “inaceitável e descabida” qualquer tentativa de ingerência internacional sobre decisões do Poder Judiciário brasileiro, incluindo o processo no qual Bolsonaro é réu.
Foto: Lula Marque

