O tenente-coronel Mauro Cid ficou emocionalmente abalado ao perceber que sua delação premiada implicava colegas militares, segundo afirmou o capitão do Exército Raphael Maciel Monteiro, amigo pessoal de Cid há décadas. Monteiro foi ouvido como testemunha de defesa na ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
De acordo com Monteiro, o impacto emocional se intensificou à medida que Cid se viu isolado dentro do próprio Exército. “O abalo dele começou no momento em que a conduta da própria defesa acabou implicando demais militares. Isso provocou um afastamento, eu arrisco a dizer até mesmo institucional. A partir daí, o coronel Cid teve como consectário lógico um entristecimento e um abalo em seu estado de espírito”, afirmou.
O capitão também foi questionado sobre áudios divulgados pela revista “Veja”, nos quais Cid critica a Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Monteiro descreveu essas falas como “muito irrefletidas” e afirmou que foram motivadas por um impulso emocional de preservar sua honra pessoal.
Segundo ele, Cid tentava conciliar dois compromissos: o dever militar de buscar a verdade e o desejo de não prejudicar subordinados. “Ele eventualmente, no círculo mais íntimo, sentia necessidade de falar coisas que, penso eu, foram muito irrefletidas e fruto de uma defesa irracional de sua honra”, declarou.
A oitiva faz parte do processo que apura o envolvimento de militares e civis na articulação de um possível golpe de Estado, foco de investigação no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Foto: Edilson Dantas

