O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes intensificou articulações para montar uma chapa unificada da direita com o objetivo de enfrentar o grupo político do governador Elmano de Freitas, do PT, na disputa pelo governo do Ceará. Filiado ao PSDB, Ciro busca reunir os principais nomes da oposição estadual em uma composição majoritária que inclua candidaturas ao Executivo e ao Senado nas eleições de outubro. Entre os aliados citados estão o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o ex-deputado federal Capitão Wagner, ambos do União Brasil.

A estratégia em discussão prevê uma chapa que contemple os cargos de governador, vice-governador e as duas vagas ao Senado Federal. Ciro já declarou publicamente sua disposição de voltar a disputar o comando do Executivo estadual, função que exerceu entre 1991 e 1994. Em entrevista coletiva concedida após reunião com lideranças oposicionistas, ele afirmou que a prioridade do grupo é construir uma alternativa política capaz de enfrentar o que classifica como avanço da violência e da impunidade na política cearense.

Segundo Ciro, a definição de quem ocupará cada posto ainda está em aberto e será fruto de diálogo entre os aliados. Ele ressaltou que o movimento em curso tem caráter coletivo e que a decisão final sobre sua eventual candidatura ao governo será tomada apenas após a consolidação desse entendimento. Para o ex-governador, a união das forças oposicionistas deve ir além de interesses individuais e se apoiar em um projeto comum para o estado.

O discurso marca uma aproximação mais explícita de Ciro com setores do bolsonarismo, movimento que se consolidou após sua filiação ao PSDB, oficializada em outubro. Na ocasião, ele respondeu a críticas sobre o diálogo com nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado federal André Fernandes e o próprio Capitão Wagner. Ciro chegou a reconhecer divergências passadas com esses aliados, mas afirmou que eventuais desavenças poderão ser resolvidas de forma política e civilizada.

O ex-governador também apontou como fator de desgaste sua antiga legenda, o PDT, especialmente pela aproximação do partido com o PT tanto no plano estadual quanto no nacional. Além disso, demonstrou insatisfação com o processo de desgaste político enfrentado pelo presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, após a crise envolvendo o INSS, que resultou em sua saída do comando do Ministério da Previdência.

No campo eleitoral, Ciro aparece em posição competitiva. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em dezembro mostra o tucano na liderança da disputa pelo governo do Ceará, com quarenta e quatro por cento das intenções de voto. Elmano de Freitas surge em segundo lugar, com trinta e quatro por cento, seguido pelo senador Eduardo Girão, do Novo, com sete por cento. Votos brancos e nulos somam dez por cento, enquanto cinco por cento dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.

O levantamento também simulou um eventual segundo turno entre Ciro e Elmano. Nesse cenário, o ex-governador teria quarenta e nove por cento das intenções de voto, contra trinta e nove por cento do petista. Outros oito por cento indicaram voto branco ou nulo, e quatro por cento se declararam indecisos, indicando uma disputa ainda aberta.

Do lado governista, o cenário também segue em avaliação. Como revelou em dezembro a newsletter Jogo Político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a possibilidade de o ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Ceará, liderar uma candidatura ao Executivo estadual no próximo pleito. Embora Camilo afirme publicamente que não pretende concorrer, ele tem evitado descartar completamente a hipótese, sinalizando que o quadro político no estado permanece em constante transformação.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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