Durante um encontro com investidores promovido pela Legend Invest, realizado no auditório do BTG Pactual na última segunda-feira (31), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “já deu o que tinha que dar” e perdeu a capacidade de diálogo com a população. Segundo o parlamentar, o eleitorado está pronto para migrar e a direita brasileira está organizada para retomar o protagonismo político nas eleições de 2026.

Segundo Nogueira, a atual gestão não consegue mais se comunicar com sua base e oferece respostas ineficazes diante dos desafios econômicos e institucionais. “O governo reage com aumento de gasto público e slogans reciclados. Tudo é ‘nova’ farmácia popular, ‘novo’ Minha Casa Minha Vida. Mas ninguém diz que tem uma nova avó. É um governo velho”, ironizou o senador.

Ao avaliar o cenário político, Ciro comparou o momento atual ao que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, também do PT, embora tenha deixado claro que não vê condições institucionais para um afastamento de Lula. “A Dilma caiu com 7% de aprovação. O Lula ainda tem 30%. Não há ambiente para impeachment. Mas o Congresso vai funcionar como um dique, vai conter os excessos, especialmente no campo tributário.”

Ele se referia, em especial, às propostas do governo que buscam implementar uma tributação mais progressiva, voltada a faixas de renda mais altas. Para o senador, essa agenda arrecadatória não será aceita sem resistência. “É um governo que só pensa em arrecadar, e o Congresso Nacional não pode permitir isso”, afirmou.

Nogueira também comentou os preparativos da direita para a disputa presidencial. Ele avalia que o embate inevitável será entre o candidato de Lula e o nome escolhido por Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente que se encontra inelegível até 2030. “A força do Bolsonaro está na transferência. Ele aprendeu com os erros e vai fazer uma campanha diferente. Se o candidato for o Tarcísio, a eleição já está ganha”, declarou.

Mesmo com o impedimento eleitoral, Bolsonaro segue como referência central para a oposição. Ciro reforçou que o ex-presidente participará ativamente das articulações eleitorais. “A ideia é lutar pela candidatura até o fim. Se não puder, ele vai escolher o representante. O governador Tarcísio seria um ótimo nome, mas há outros sendo considerados. A decisão será do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Apesar da movimentação política da oposição, pesquisas recentes revelam que o eleitorado segue dividido. Levantamento da Genial/Quaest divulgado na quarta-feira (2) apontou crescimento da desaprovação ao governo Lula, que passou de 49% em janeiro para 56% em março. A aprovação caiu de 47% para 41%, o pior índice desde o início do atual mandato.

No entanto, dados de outra pesquisa publicada na quinta-feira (3) indicam que o receio maior da população é quanto ao retorno de Bolsonaro à Presidência: 44% dos entrevistados disseram ter medo de um novo governo do ex-presidente, enquanto 41% demonstraram receio de uma reeleição de Lula.

Nas simulações de segundo turno realizadas pela Quaest, Lula lidera em todos os cenários contra os nomes da direita, embora enfrente empate técnico com Bolsonaro, cuja inelegibilidade foi decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Além disso, Bolsonaro responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente e sete aliados foram recentemente transformados em réus pelo STF e, se condenados, podem receber penas que somam até 43 anos de prisão. Apesar disso, Bolsonaro vem evitando discutir sucessões. “Só depois de morto”, disse, ao ser questionado se indicaria um nome para 2026. Já Tarcísio de Freitas tem afirmado publicamente que pretende disputar a reeleição ao governo de São Paulo.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado


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