A Polícia Federal apreendeu, nesta quinta-feira (4), o total de R$ 120,8 mil em espécie, entre notas de real, dólar e euro, durante mandado de busca e apreensão na residência de Bruno Barral, secretário de Educação de Belo Horizonte. O servidor foi afastado do cargo por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Overclean, que investiga desvio de recursos públicos e corrupção em larga escala. A prefeitura da capital mineira ainda não se pronunciou sobre o afastamento.

Durante a ação, a PF também recolheu itens de alto valor, como um relógio de luxo, uma corrente de ouro, pen drives e aparelhos celulares. Barral, antes de assumir a Secretaria de Educação da capital mineira, ocupava o mesmo posto em Salvador (BA). De acordo com as investigações, ele possui ligação com o empresário Marcos Moura, apelidado de “Rei do Lixo”, apontado como um dos articuladores do esquema criminoso.

Marcos Moura já havia sido preso em fases anteriores da operação e voltou a ser alvo de buscas nesta quinta-feira. A PF chegou a solicitar nova prisão preventiva por suspeita de obstrução de Justiça, mas o pedido foi negado após a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar contra. A defesa do empresário ainda não comentou os desdobramentos mais recentes.

Nesta fase, foram cumpridos 16 mandados de busca em quatro estados: Minas Gerais, Bahia, Sergipe e São Paulo. Segundo nota oficial da PF, o objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa envolvida em fraudes licitatórias, corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de emendas parlamentares. O grupo teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas.

A Operação Overclean teve início a partir de denúncias de desvios de emendas destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). As apurações revelaram a atuação do “Rei do Lixo” como intermediário entre empresários e agentes públicos, com pagamento de propina para facilitar a liberação de recursos e assegurar contratos com prefeituras e órgãos federais.

A fase anterior da operação ocorreu em dezembro e teve como alvos um vice-prefeito, um secretário municipal e um agente da própria Polícia Federal.

Foto: Karoline Barreto/CMBH


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