Depois de uma oficial não encontrar ninguém na sede da Taquaril Mineração S.A (Tamisa), a Justiça Federal determinou, nesta sexta-feira (6/5), a intimação pessoal de Cristiano Pinto Caetano da Cruz, um dos diretores da empresa. Ele receberá em sua casa, em Belo Horizonte, a comunicação oficial do judiciário dando dez dias à companhia para se manifestar sobre o pedido da prefeitura belo-horizontina para suspender a licença que viabiliza a exploração do solo na Serra do Curral.

Como mostrou mais cedo o Estado de Minas, uma representante do judiciário foi ontem ao prédio que a Tamisa informou ser sua base, em Nova Lima. A porteira do edifício, porém, informou não ver representantes da companhia no local há cerca de dois anos.

“Diante da suspeita de ocultação da empresa, deverá ser feita a citação por hora certa”, lê-se em trecho do despacho do juiz Carlos Roberto de Carvalho, da 22° Vara Federal.

Há dois dias, o magistrado deu dez dias para que a empresa e o governo se manifestem sobre a liminar solicitada por Belo Horizonte. Com a dificuldade de encontrar representantes da Tamisa, porém, o prazo ainda não começou a correr. A citação por “hora certa”, no entanto, permite que o período estipulado comece a contar sem que haja a efetiva ciência da companhia. Para isso, basta Cristiano ser encontrado em casa.

A “suspeita de ocultação” citada pelo magistrado, por sua vez, vai ao encontro da possibilidade, aventada pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) de Belo Horizonte, de a sede informada pela Tamisa ser, na verdade, mera “fachada”.

“A mineração da serra que dá nome à Belo Horizonte já exige cautelas por si só. Com ainda mais razão agora que se sabe que a empresa tem uma sede com indícios de ser de fachada, como certificado, com fé pública, pelo Oficial de Justiça ao colher o relato do porteiro do prédio de que ‘não tem visto funcionários da empresa no local’ há mais de um ano”, apontou o subprocurador-geral do Contencioso, Caio Perona, ao pedir a Justiça a citação por “hora certa”.

Segundo as informações cadastrais da Tamisa, apresentadas à Receita Federal, o quadro societário tem, além de Cristiano da Cruz, o diretor Guilherme Augusto Gonçalves Machado. A empresa tem relações com a Cowan, construtora responsável pelo viaduto Batalha dos Guararapes, que caiu sobre um ônibus em 2014, em Belo Horizonte. O acidente matou duas pessoas e feriu 23.