O Conselho de Comunicação Social manifestou preocupação com o aumento de agressões contra jornalistas durante reunião realizada nesta segunda-feira (4), ao marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio. O encontro reuniu representantes da sociedade civil, especialistas e autoridades para discutir os desafios enfrentados pela imprensa no Brasil e no mundo.
A presidente do colegiado, Patrícia Blanco, destacou que a data serve como um alerta para a realidade enfrentada pelos profissionais de comunicação. Segundo ela, jornalistas têm sido alvo de diferentes formas de violência, o que compromete o exercício da atividade e a qualidade da informação disponível à sociedade.
Durante a reunião, o secretário de Políticas Digitais da Presidência da República, João Brant, apontou que o Brasil melhorou sua posição no ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras desde 2022. Apesar disso, ele defendeu cautela na avaliação e reforçou a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da atividade jornalística.
Brant também destacou a importância de uma agenda global para combater a desinformação e o discurso de ódio, especialmente no ambiente digital. Segundo ele, a sustentabilidade das empresas de comunicação está ameaçada por mudanças tecnológicas e pela atuação de plataformas digitais, o que exige respostas institucionais coordenadas.
O coordenador de Comunicação e Informação da Unesco, Adauto Soares, ressaltou que o índice mundial de liberdade de expressão caiu 10% desde 2012. Ele alertou para a falta de segurança dos jornalistas e para a impunidade em crimes contra profissionais da imprensa, fatores que comprometem o debate público e a confiança social.
Representando entidades como Repórteres Sem Fronteiras e a Coalizão em Defesa do Jornalismo, Bia Barbosa citou dados da Federação Nacional dos Jornalistas que apontam 144 casos de agressões a profissionais da comunicação no Brasil em 2024. Ela destacou o crescimento do assédio judicial como uma das principais formas de intimidação, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
A jornalista Basília Rodrigues afirmou que o cenário atual levanta dúvidas sobre a própria celebração da data, diante das diversas formas de violência enfrentadas pelos profissionais. Segundo ela, valores como liberdade e democracia têm sido distorcidos no debate público.
Conselheiros também manifestaram preocupação com o impacto da inteligência artificial e da desinformação nas eleições. O colegiado aprovou a realização de audiência pública para discutir o tema em 2026, além de outro encontro voltado à evolução tecnológica da televisão aberta no país.
Ao final da reunião, foi reforçada a necessidade de vigilância institucional e de ações conjuntas para garantir a proteção dos jornalistas e a preservação da liberdade de imprensa, considerada essencial para o funcionamento da democracia.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

