O Comitê de Política Monetária indicou que seguirá adotando uma postura cautelosa na condução da política de juros, diante do cenário de incertezas globais e da persistência das pressões inflacionárias. A avaliação consta na ata da reunião mais recente, divulgada nesta terça-feira (5), após a decisão de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, fixando a Selic em 14,5% ao ano.
Segundo o documento, o ambiente internacional tem sido determinante para a estratégia do colegiado. As tensões no Oriente Médio e as dúvidas em relação à política econômica dos Estados Unidos ampliaram a volatilidade dos mercados e elevaram o risco de impactos sobre preços de commodities, especialmente petróleo e derivados.
O Banco Central destacou que o conflito envolvendo grandes produtores pode afetar cadeias globais de produção e distribuição. O Estreito de Ormuz, por exemplo, continua sendo um ponto sensível, por onde circula parcela significativa do petróleo mundial, o que aumenta a preocupação com possíveis choques de oferta.
Diante desse cenário, o Copom reforçou a necessidade de serenidade na definição dos próximos passos. O colegiado informou que continuará monitorando os desdobramentos geopolíticos e seus efeitos diretos e indiretos sobre a inflação, antes de indicar novos cortes mais intensos na taxa de juros.
Outro fator de atenção é a trajetória das expectativas inflacionárias. O Banco Central apontou risco de desancoragem, principalmente em horizontes mais longos, como o ano de 2028. Dados recentes indicam elevação nas projeções do mercado, o que pode dificultar o retorno da inflação à meta estabelecida.
De acordo com estimativas, a inflação medida pelo IPCA deve alcançar 4,89% neste ano, acima do centro da meta de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2026, o próprio modelo do Banco Central projeta alta de 4,6%.
A autoridade monetária ressaltou que, quando as expectativas estão desajustadas, o custo para controlar a inflação tende a ser maior. Por isso, a manutenção de uma política monetária restritiva ainda é considerada necessária.
Mesmo com o ambiente adverso, o Copom avaliou que o ciclo de redução da Selic pode continuar, desde que de forma gradual. O comitê entende que o período prolongado de juros elevados já contribuiu para a desaceleração da atividade econômica, criando espaço para ajustes controlados.
Assim, a estratégia atual combina redução moderada dos juros com acompanhamento constante dos riscos, buscando garantir a convergência da inflação às metas estabelecidas sem comprometer a estabilidade econômica.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

