Um estudo elaborado por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro indica que a implementação da tarifa zero no transporte público nas 27 capitais brasileiras poderia gerar impacto econômico significativo e contribuir para a redução de desigualdades sociais no país.

A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (5), estima que a gratuidade no transporte coletivo urbano teria potencial de injetar R$ 60,3 bilhões por ano na economia. Considerando os subsídios e gratuidades já existentes, como os destinados a idosos, estudantes e pessoas com deficiência, o valor líquido adicional seria de R$ 45,6 bilhões.

Intitulado A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda, o estudo foi coordenado pelo professor Thiago Trindade e propõe que a medida funcione como uma forma indireta de aumento de renda para a população. Ao eliminar o custo com passagens, os recursos antes destinados ao transporte poderiam ser redirecionados para consumo, estimulando a atividade econômica.

Os pesquisadores destacam que o impacto tende a ser maior entre as camadas de menor renda, especialmente moradores de periferias e população negra, que dependem mais intensamente do transporte público. Nesse sentido, a política poderia contribuir para reduzir desigualdades estruturais e ampliar o acesso a oportunidades.

A análise foi baseada em dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade de 2024 e em indicadores de operadores de sistemas de ônibus e transporte sobre trilhos. O estudo também recebeu apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e foi financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional.

Além do impacto econômico, o estudo sugere que a gratuidade no transporte poderia ser tratada como um direito social, à semelhança de políticas públicas já consolidadas no país, como saúde e educação.

Entre as alternativas de financiamento, os pesquisadores apontam a possibilidade de reformulação do modelo atual de vale-transporte, com contribuição de empresas públicas e privadas com mais de 10 funcionários. A estimativa é de que 81,5% dos estabelecimentos ficariam isentos dessa obrigação.

Segundo os autores, a implementação de uma política nacional de tarifa zero poderia fortalecer o papel do Brasil em iniciativas voltadas à redução de desigualdades e ampliação do acesso a serviços essenciais.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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