O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (23) que a única possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro não permanecer preso por mais 8 anos seria uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial deste ano. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas em um jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil.
Segundo Costa Neto, caso o campo bolsonarista seja derrotado nas urnas, a situação jurídica de Bolsonaro tende a se agravar. Ele afirmou não acreditar que o ministro Alexandre de Moraes autorize a saída do ex-presidente da prisão antes do encerramento do processo eleitoral, mesmo diante das condições atuais. Para o dirigente partidário, qualquer mudança nesse cenário só ocorreria após a eleição.
O presidente do PL defendeu que a estratégia central da legenda deve ser a vitória ainda no 1º turno. Na avaliação dele, esse desfecho reduziria tensões políticas e facilitaria a formação de uma base mais ampla de apoio ao futuro governo. Ainda assim, ponderou que, caso haja 2º turno, setores da direita que não integram diretamente o núcleo bolsonarista tendem a aderir à candidatura de Flávio.
Ao comentar o cenário eleitoral, Costa Neto citou pesquisas de intenção de voto que considera favoráveis ao senador. No entanto, ressaltou que o sucesso da campanha depende do engajamento efetivo de 3 aliados estratégicos: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado federal Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Entre os nomes citados, Michelle é vista como o apoio mais difícil de ser consolidado. Apesar do vínculo familiar, ela tem mantido atritos com os filhos de Jair Bolsonaro, motivados por divergências políticas e por críticas a atitudes consideradas impulsivas. Esse distanciamento tem alimentado ruídos internos no campo bolsonarista.
Na sexta-feira (20), Eduardo Bolsonaro criticou publicamente a ausência de manifestações de apoio de Michelle à candidatura de Flávio. Em entrevista, afirmou não ter visto postagens ou declarações da ex-primeira-dama em favor do irmão, sugerindo que ela e Nikolas estariam adotando postura semelhante nas redes sociais.
As divergências internas, contudo, não se limitam à relação com Michelle. Nesta semana, o ex-vereador Carlos Bolsonaro criticou declarações de Costa Neto sobre a divisão de responsabilidades dentro do partido, questionando a afirmação de que caberia ao PL definir candidatos a governos estaduais, enquanto Jair Bolsonaro ficaria responsável por indicar nomes ao Senado.
Diante do cenário, Costa Neto minimizou os conflitos e afirmou que Michelle enfrenta um momento pessoal delicado, marcado pelo acúmulo de funções e pela prisão do marido. Segundo ele, a ex-primeira-dama não teria sido consultada previamente sobre a decisão de Jair de lançar Flávio como candidato, o que exigiria um período de adaptação. Para o dirigente do PL, o diálogo tende a reduzir as tensões ao longo da campanha.
Foto: Beto Barata/PL

