O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, vinte e três, que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial e que o tema precisa ser debatido com profundidade no Brasil. A declaração foi dada durante evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, em São Paulo, onde foram assinados acordos de cooperação entre o governo federal e a entidade empresarial.
A manifestação de Alckmin ocorreu após o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defender o adiamento da discussão sobre o fim da escala seis por um para depois do período eleitoral. Segundo Skaf, o debate em ano de eleições tende a ser contaminado por disputas políticas e emoções que podem afastar a análise racional dos impactos econômicos e sociais da proposta.
Na avaliação de Skaf, o setor produtivo está disposto a discutir mudanças nas relações de trabalho, mas entende que o momento político não é o mais adequado para avançar em uma pauta sensível como a reorganização da jornada. Ele argumentou que decisões dessa natureza exigem serenidade, dados técnicos e previsibilidade para empresas e trabalhadores.
Ao responder à colocação, Alckmin afirmou que o debate não deve ser tratado como uma corrida ou decisão precipitada, mas destacou que a redução da jornada já vem ocorrendo em diversos países. Para o presidente em exercício, há realidades muito distintas dentro do próprio setor produtivo, o que exige diálogo amplo e análise cuidadosa, mas não invalida a necessidade de discutir o tema.
Segundo Alckmin, a modernização das relações de trabalho precisa acompanhar transformações tecnológicas, mudanças no perfil do emprego e novas formas de organização da produção. Ele ressaltou que o desafio é encontrar modelos que preservem a competitividade das empresas e, ao mesmo tempo, promovam qualidade de vida e produtividade para os trabalhadores.
Durante o evento, Alckmin e Skaf assinaram dois protocolos de intenções. O primeiro trata de defesa comercial e tem como objetivo fortalecer ações de combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior. O segundo aborda o ambiente regulatório, com foco na redução da burocracia, no aumento da competitividade e na melhoria da qualidade regulatória no país.
O protocolo voltado à defesa comercial estabelece bases para a cooperação institucional entre o ministério e a Fiesp, buscando promover o comércio justo e ampliar o uso, pelo Brasil, dos instrumentos legais disponíveis para enfrentar dumping e outras práticas desleais. Entre as iniciativas previstas estão o compartilhamento de informações técnicas, experiências e ferramentas de análise.
Já o acordo sobre ambiente regulatório prevê ações conjuntas para reduzir custos administrativos, simplificar processos e diminuir barreiras sistêmicas ao empreendedorismo. A proposta inclui a ampliação da digitalização dos serviços públicos e a integração de sistemas, com o objetivo de tornar o ambiente de negócios mais eficiente e previsível.
Em sua fala aos empresários, Skaf afirmou que o fortalecimento da defesa comercial é essencial para proteger setores produtivos e empregos contra concorrência considerada
injusta. Ele defendeu medidas concretas para garantir que empresas brasileiras não sejam prejudicadas por práticas ilegais no comércio internacional.
Alckmin reforçou que a cooperação com o setor produtivo é fundamental para promover um ambiente concorrencial equilibrado. Segundo ele, políticas de defesa comercial eficientes contribuem para o crescimento econômico sustentável e para a preservação de empregos no país.
Ainda durante a reunião, o presidente em exercício comentou suas expectativas em relação à política monetária. Alckmin disse estar confiante de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central poderá iniciar, já na próxima reunião, um ciclo de redução da taxa básica de juros. Ele atribuiu essa expectativa à valorização do real e ao processo de desinflação dos alimentos.
Para Alckmin, a perspectiva de queda dos juros tende a estimular investimentos, consumo e crescimento econômico. Ele afirmou que a combinação de estabilidade macroeconômica e políticas de incentivo à produção pode criar um ambiente mais favorável para a indústria e o comércio.
O presidente em exercício também avaliou como positiva a decisão do governo dos Estados Unidos de adotar uma tarifa global uniforme sobre produtos importados. Segundo ele, a medida beneficia o Brasil ao eliminar tratamentos diferenciados que penalizavam o país em comparação com outros parceiros comerciais.
Na avaliação de Alckmin, quando as tarifas eram aplicadas de forma específica, o impacto para o Brasil era mais negativo. Com a adoção de uma tarifa única para todos os países, o cenário se torna mais equilibrado e abre espaço para a retomada e ampliação do comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos.
Alckmin afirmou que o novo contexto cria oportunidades para o fortalecimento das exportações brasileiras e para a diversificação das relações comerciais. Segundo ele, o desafio agora é aproveitar o ambiente internacional mais equilibrado para ampliar a presença do Brasil em mercados estratégicos e gerar crescimento econômico sustentável.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

