O gabinete do deputado Filipe Barros (PL-PR) usou verba pública para custear viagens de Uber de um funcionário a uma casa de entretenimento adulto em Londrina (PR). Durante a madrugada de 6 de março, o chefe de gabinete de Barros, Bruno Cardoso Araújo, fez deslocamentos entre seu hotel e o Manhattan Bar, conhecido por shows de striptease e pela presença de garotas de programa. As despesas foram reembolsadas pela Câmara dos Deputados com recursos da cota parlamentar, verba destinada exclusivamente a atividades de interesse público.
Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que o deputado Filipe Barros, na ocasião, estava em Dubai em missão oficial, participando de um evento do bloco BRICS. A corrida de ida para o clube adulto partiu do hotel onde Araújo estava hospedado, e a volta foi registrada às 4h46, com destino ao mesmo local de partida.
O Manhattan Bar promoveu nas redes sociais, dias antes do episódio, uma noite de shows com “lindas modelos”, alinhado ao teor de suas publicações, que incluem imagens de mulheres em trajes sensuais e o ambiente do clube com passarelas e pole dances.
Após o contato da reportagem, Araújo declarou que está se desligando do gabinete de Filipe Barros e que providenciou a devolução do valor da corrida. Em nota, explicou que o gasto foi inserido na cota parlamentar por “ato falho” e pediu desculpas. Ele afirmou que estava em Londrina a trabalho, mas que utilizou o Uber fora do horário de expediente.
Filipe Barros, conhecido defensor do conservadorismo e líder da oposição na Câmara, determinou imediatamente o reembolso e a exoneração do servidor. Sua assessoria destacou que o deputado não compactua com a situação.
O uso da cota parlamentar segue critérios específicos para despesas relacionadas ao mandato, como locação de veículos, hospedagem, consultoria e outros gastos diretamente vinculados à atuação parlamentar. O regimento da Câmara exige que reembolsos com a cota sejam estritamente para fins do mandato. Até o momento, a Câmara dos Deputados não se manifestou sobre o caso.

