A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado abrirá seus trabalhos na terça-feira, dia dezoito, às nove horas da manhã, ouvindo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. As duas oitivas foram solicitadas por meio do requerimento REQ 2/2025, apresentado pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, que considera fundamental iniciar as investigações com a cúpula da PF.

Segundo o relator, compreender o atual diagnóstico produzido pela Polícia Federal é decisivo para mapear como as facções criminosas expandiram sua presença territorial, econômica e operacional nos últimos anos. Ele afirmou que “a presença dos diretores é essencial para avaliarmos o grau de infiltração das organizações criminosas nos estados, o impacto das estruturas de lavagem de dinheiro e o funcionamento das redes transnacionais que sustentam facções, milícias e grupos associados”.

Os depoimentos também serão utilizados como subsídio para o acompanhamento do Projeto de Lei das Facções Criminosas, encaminhado pelo governo ao Congresso e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. O texto endurece as regras contra organizações estruturadas, cria novos mecanismos de rastreamento financeiro e estabelece normas mais rígidas para líderes, operadores e financiadores de facções.

Durante a reunião, os senadores devem buscar detalhes sobre a cooperação entre forças de segurança, destacando operações conjuntas recentes. Um exemplo é a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, realizada com apoio da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco. A ação mirou um grupo criminoso que utilizava fintechs e postos de gasolina para lavar dinheiro da maior facção criminosa do estado.

Outro ponto deve ser o trabalho articulado da Polícia Federal com a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, após a operação realizada no fim de outubro nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou na morte de cento e vinte e uma pessoas e reacendeu o debate sobre estratégias de enfrentamento ao crime organizado.

Instalada no dia quatro deste mês, a CPI do Crime Organizado conta com onze senadores titulares e sete suplentes. A presidência está a cargo do senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo; a vice-presidência, do senador Hamilton Mourão, do Republicanos do Rio Grande do Sul; e a relatoria, de Alessandro Vieira, autor do requerimento de criação da comissão.

A CPI tem prazo de cento e vinte dias para concluir os trabalhos. Deverá investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas, incluindo facções e milícias, analisando seu modus operandi, as condições de instalação em diferentes regiões e suas estruturas de comando, para propor soluções efetivas de enfrentamento, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado


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