O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou nesta segunda-feira que as investigações aprofundadas do colegiado irão embasar o pedido formal para a convocação de parlamentares. O deputado Euclydes Pettersen (PSD-MG) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) devem ser os primeiros a serem chamados a depor, segundo Gaspar, que disse esperar que os dois não sejam “blindados” pelo sistema político. “A transparência é crucial para desvendar as fraudes no INSS”.
O relator afirmou que Pettersen deve ser convocado após o ex-diretor do INSS Alexandre Guimarães ter admitido, durante a sessão desta segunda-feira, que ingressou no instituto após apresentar seu currículo ao deputado mineiro. O ex-deputado André Moura também teria recebido o currículo e dado encaminhamento ao pleito de Guimarães.
O senador Weverton Rocha, por sua vez, já admitiu publicamente ter recebido Antônio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido como o “Careca do INSS”, em sua casa. Antunes é apontado pelas investigações como o operador central do esquema, responsável por intermediar as relações entre associações fraudulentas e servidores públicos dentro da autarquia.
Weverton Rocha se manifestou publicamente, dizendo-se “surpreso” e criticou a atuação do relator da CPI. “Acho estranha essa menção do relator, já que não sou investigado, nem citado em nenhuma investigação”. “Na minha opinião, o relator deveria se concentrar em oferecer respostas concretas para combater fraudes no INSS”.
Relatórios da Polícia Federal (PF) indicam que Antunes movimentou R$ 53 milhões em valores oriundos de entidades sindicais e empresas relacionadas, um montante muito superior à renda mensal de R$ 24 mil que ele declarava oficialmente.
“Acho bom que não tenhamos blindagem. As convocações serão boas para o deputado e para o senador, para que prestem esclarecimentos e dissipem qualquer dúvida”, afirmou Gaspar. Contudo, ainda não há datas previstas para as votações dos respectivos requerimentos de convocação na CPI.
A convocação de Alexandre Guimarães atende a requerimentos apresentados por diversos membros do Congresso, como o senador Izalci Lucas (PL-DF) e os deputados Rogério Correia (PT-MG), Adriana Ventura (Novo-SP), Duarte Jr. (PSB-MA) e Sidney Leite (PSD-AM). O colegiado continuará ouvindo nos próximos dias outros representantes e funcionários de associações, além do ex-ministro do Trabalho Onyx Lorenzoni. As datas dessas oitivas ainda precisam ser confirmadas.
Na semana passada, o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio de Oliveira Filho disse não saber o motivo da participação de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em uma reunião com integrantes do Ministério da Previdência. Em seu depoimento, Virgílio também negou ter padrinhos políticos. O ex-procurador é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de participar nas fraudes que levaram a descontos indevidos em aposentadorias e pensões de milhões de beneficiários.
Durante a audiência, Virgílio foi questionado pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar, sobre uma reunião realizada em 12 de janeiro de 2023, no início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com o hoje ministro da Previdência, Wolney Queiroz. Na época, Wolney era secretário-executivo da pasta.
Entre os presentes na reunião estavam o próprio Virgílio e o “Careca do INSS”, apontado pelas investigações da PF como possível operador no esquema de descontos ilegais. “Tem uma pessoa que eu não consigo identificar como funcionário público. Esse rapaz aqui conhecido como Careca do INSS”, questionou Gaspar. “Um ministro de estado, com todo o staff, mas essa pessoa aqui, me causou uma certa surpresa. O senhor poderia me informar, e aqui não tem nada para lhe acusar, o senhor é parte de uma reunião do seu trabalho, o que essa figura impoluta está fazendo nessa reunião?”. Em resposta, Virgílio disse que não consegue responder o motivo da participação do “Careca do INSS” na reunião por não ter sido ele a convidá-lo.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

