A CPI do INSS ouve, nesta quinta-feira, a diretora de Previdência da Controladoria-Geral da União (CGU), Eliane Mota. O depoimento tem como objetivo esclarecer detalhes das auditorias realizadas pela CGU sobre descontos irregulares em benefícios previdenciários. No ano passado, a CGU já havia alertado o INSS em mais de uma ocasião sobre a ocorrência desses descontos indevidos.
Um relatório divulgado pela CGU em maio deste ano aprofundou as suspeitas de fraude, apontando evidências de inclusões irregulares em massa desde 2016, com picos nos anos de 2018, 2023 e 2024. O documento identificou cinquenta e nove situações “em que houve ao menos cinquenta mil inclusões de descontos em benefícios por uma mesma entidade” em apenas um mês. Esse número levanta suspeitas porque indica uma média de dois mil e quinhentos lançamentos por dia útil, algo considerado incompatível com a realidade operacional do sistema.
Além do depoimento, a CPI votará cinquenta e seis requerimentos de informações a diferentes órgãos. Entre eles, está o pedido para que o ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, envie dados sobre a Associação Mutualista de Benefícios Coletivos (Ambec).
Na sessão da última segunda-feira, o advogado Eli Cohen, um dos primeiros a denunciar o esquema, apresentou números que comprovariam o “crescimento vertiginoso” da Ambec entre 2021 e 2024. Segundo ele, o faturamento da associação alcançou cento e setenta e oito milhões de reais no período entre 2019 e 2024.
O inquérito da Polícia Federal aponta Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como procurador da Ambec e operador central do esquema. Ele seria o responsável por intermediar relações entre associações fraudulentas e servidores públicos. Relatórios da PF revelam que Antunes movimentou cinquenta e três milhões de reais oriundos de entidades sindicais e empresas relacionadas, valor muito superior à sua renda mensal declarada de vinte e quatro mil reais. Parte desse dinheiro teria sido usada para comprar presentes a dirigentes do INSS, incluindo um Porsche avaliado em quinhentos mil reais, que foi transferido para a esposa de um procurador do órgão.
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

