O Banco do Brasil registrou forte queda no lucro no primeiro trimestre de 2026 diante do avanço da inadimplência no setor agropecuário. Segundo balanço divulgado pela instituição financeira nesta quarta-feira, o lucro líquido ajustado somou R$ 3,4 bilhões entre janeiro e março, resultado 54% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Além da retração nos ganhos, o banco também revisou para baixo sua projeção de lucro para todo o ano de 2026. A expectativa anterior variava entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Agora, a instituição passou a trabalhar com previsão entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
O principal fator de pressão sobre os resultados foi o aumento da inadimplência no crédito rural. Segundo o banco, produtores rurais vêm enfrentando dificuldades financeiras desde a quebra da safra de soja ocorrida em 2024, cenário que ampliou pedidos de recuperação judicial no setor ao longo dos últimos anos.
A provisão para perdas, mecanismo utilizado pelos bancos para reservar recursos destinados à cobertura de possíveis calotes, alcançou R$ 16,8 bilhões no primeiro trimestre. O valor representa crescimento de 46% em comparação com o mesmo período de 2025.
Em nota, o Banco do Brasil informou que a alta nas provisões reflete principalmente a piora no risco das operações ligadas ao agronegócio. O índice de inadimplência superior a 90 dias no crédito rural atingiu 6,22% da carteira agropecuária, avanço de 3,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
A inadimplência geral da instituição ficou em 5,05%. Mesmo assim, o crédito ao agronegócio continua representando parcela relevante das operações do banco, totalizando R$ 418,4 bilhões no encerramento do trimestre.
Outro indicador que apresentou deterioração foi o retorno sobre patrimônio líquido, conhecido no mercado financeiro como ROE. A taxa caiu de 16,7% para 7,3% em 12 meses. O índice também ficou abaixo do resultado registrado no último trimestre de 2025, quando alcançou 12,4%.
Apesar do cenário adverso, a carteira total de crédito do banco apresentou crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 1,3 trilhão. Segundo a instituição, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de pessoas físicas, com destaque para o avanço do crédito consignado.
Os ativos totais do Banco do Brasil encerraram o trimestre em R$ 2,6 trilhões, enquanto o patrimônio líquido atingiu R$ 194,9 bilhões.
Para tentar reduzir os impactos da crise no campo, o banco informou ter ampliado ações de renegociação de dívidas e fortalecido mecanismos de cobrança. Uma das principais iniciativas foi o programa BB Regulariza Dívidas Agro, criado para renegociar contratos de produtores rurais em dificuldades financeiras.
Segundo a instituição, já foram renegociados R$ 37,9 bilhões por meio do programa. Ao todo, mais de 73 mil operações passaram por repactuação, beneficiando cerca de 25,5 mil produtores rurais em diferentes regiões do país.
O banco também informou que reforçou o uso de garantias e ampliou ações judiciais destinadas à recuperação de crédito. Na avaliação da instituição financeira, o cenário econômico segue desafiador diante da combinação entre crise no agronegócio, incertezas geopolíticas internacionais e deterioração de indicadores macroeconômicos.
Mesmo com a piora nos resultados, o Banco do Brasil afirmou que continuará atuando como principal agente financeiro do agronegócio brasileiro, setor considerado estratégico para a economia nacional e para a geração de exportações do país.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

