Integrantes da alta cúpula das Forças Armadas demonstram preocupação com a manutenção da prisão preventiva do ex-ministro Braga Netto, mesmo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter apresentado denúncia no caso da trama golpista. O general da reserva integrou o Alto Comando do Exército antes de ingressar no governo de Jair Bolsonaro.

Braga Netto está preso há 88 dias sob suspeita de obstrução de Justiça, acusado de tentar obter acesso ao conteúdo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O general nega as acusações.

Para setores das Forças Armadas, a formalização da denúncia pela PGR, que aponta tentativa de golpe de Estado, marca o encerramento da fase de investigações. Assim, argumentam que não haveria mais risco de interferência no inquérito.

Apesar da preocupação com a prisão do general, representantes da cúpula militar afirmam que desejam o esclarecimento dos fatos e a responsabilização individual dos envolvidos. O ministro da Defesa, José Múcio, reconheceu que a situação gera “constrangimento”, mas avaliou que o avanço do processo representa o encerramento de um capítulo delicado.

A defesa de Braga Netto não se manifestou sobre o caso. Os pedidos de soltura apresentados foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Braga Netto, seguem presos preventivamente o general de duas estrelas Mário Fernandes, três tenentes-coronéis e um policial federal. No total, 34 pessoas foram denunciadas.

O ex-ministro cumpre a prisão em uma sala de Estado Maior da 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, dentro do Comando Militar do Leste, que chefiou até 2019. O espaço é um cômodo adaptado, equipado com TV, geladeira, ar-condicionado e banheiro exclusivo. Celulares não são permitidos, e visitas ocorrem sob regras restritas.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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