A ofensiva política para evitar que o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), seja atingido pelas sanções impostas pelos Estados Unidos não parte apenas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mensagens reveladas pela Polícia Federal mostram que a cúpula do PL também tem se mobilizado, sob a liderança de Valdemar Costa Neto, presidente do partido. A avaliação interna é de que o ministro deve ser preservado por ser considerado uma das principais pontes de interlocução do grupo com a Corte.

Valdemar, assim como outros aliados de Bolsonaro que ainda buscam diálogo com o STF, defende que Gilmar seja protegido da pressão norte-americana liderada por Donald Trump e encampada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Seria muito ruim ter Gilmar sancionado. Ele é nosso principal canal de conversa com o Supremo. Não podemos perder isso”, declarou um dirigente do PL em caráter reservado.

O decano, apesar das tensões recentes, manteve encontros com representantes bolsonaristas. Há poucas semanas, recebeu para um café da manhã Valdemar, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), e o senador Rogério Marinho (PL-RN). Além dessa reunião, o ministro seguiu mantendo contato telefônico com interlocutores próximos de Bolsonaro.

Segundo relatos, Gilmar tem reforçado em conversas que as sanções impostas por Washington não devem ter impacto sobre as decisões do Supremo, sobretudo no julgamento da tentativa de golpe. Para os bolsonaristas, no entanto, ele continua sendo o canal mais aberto de interlocução e exerce forte influência sobre outros magistrados da Corte.

Nesta segunda-feira (25), o ministro comentou ter sido citado em diálogo entre Jair Bolsonaro e Eduardo. No relatório da Polícia Federal, o ex-presidente orienta o filho a “esquecer qualquer crítica ao Gilmar”. Questionado por jornalistas, Mendes atribuiu a menção ao seu nome à sua “interlocução” com diferentes atores políticos e negou manter contato recente com Bolsonaro.

Foto: Victor Piemonte/STF

 

 


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