A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou nesta segunda-feira um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja anulada a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, no contexto da investigação da trama golpista. O motivo apontado são mensagens atribuídas a Cid, trocadas por meio de um perfil no Instagram que estaria registrado em nome de outra pessoa.

Os advogados do ex-presidente também requereram mais tempo para apresentar suas diligências — medidas complementares possíveis durante a tramitação da ação penal — e reiteraram o pedido de acesso às mensagens obtidas em duas investigações distintas.

A solicitação ocorre após a revista Veja ter publicado, na semana passada, uma série de mensagens supostamente enviadas por Mauro Cid utilizando um perfil no Instagram. Em resposta, os advogados do militar negaram que ele tenha sido o autor dos diálogos. Na sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes deu um prazo de 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo Instagram, fornecesse os dados cadastrais do referido perfil. Até o momento, as informações ainda não foram entregues.

Durante o interrogatório de Cid no STF, ocorrido na semana passada, o advogado Celso Vilardi, da equipe de defesa de Bolsonaro, questionou se ele havia falado com alguém sobre os detalhes da delação via Instagram. Mauro Cid negou. Em seguida, foi perguntado se conhecia um perfil chamado “GabrielaR702”. Cid respondeu que “Gabriela é o nome de sua esposa, mas não sabia se esse era o perfil dela”.

No documento enviado ao STF, a defesa de Bolsonaro sustenta que as mensagens revelam “ausência de credibilidade da delação”, e por isso solicita a sua anulação. Caso o pedido principal não seja aceito, os advogados requerem que a decisão de Moraes da última sexta-feira seja ampliada, exigindo não apenas os dados cadastrais, mas também a localização da conexão usada para criar o perfil, o histórico de acessos e todo o conteúdo publicado.

Até o momento, o ministro já determinou que sejam entregues os dados cadastrais e todas as mensagens enviadas e recebidas pelo perfil nos últimos dois anos. Ainda assim, os defensores do ex-presidente pedem mais tempo para apresentar seus pedidos de diligência. O prazo atual, aberto por Moraes após o término dos interrogatórios, se encerra nesta segunda-feira.

A defesa argumenta que é necessário ter acesso ao conteúdo do perfil investigado antes de formular os pedidos e que os prazos devem respeitar uma ordem lógica: primeiro a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), depois a da defesa de Cid — por ser colaborador — e, por fim, as demais defesas.

Por último, os advogados de Bolsonaro alegam que ainda não conseguiram consultar o material apreendido em duas investigações conexas: o inquérito das milícias digitais e a apuração sobre a possível fraude nos cartões de vacinação. “Esse acesso é essencial para assegurar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”, afirmam os defensores no documento.

Foto: Fellipe Sampaio/STF

 

 


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