Em entrevista ao UOL News, o deputado federal e pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) afirmou que o projeto de lei que pretende proibir o casamento homoafetivo no Brasil “não é conservadorismo, mas fanatismo”.

“Usaremos os mecanismos regimentais de obstrução e pediremos vista para que ele saia de pauta. É um retrocesso absurdo. Nem chamaria de conservadorismo. É fanatismo, extremismo religioso. É outra vibração. Essa moralidade abstrata, impondo-se ao conjunto da sociedade, já justificou mulheres não votarem e que pessoas negras eram inferiores e poderiam ser escravizadas. É a mesma lógica mental. Isso tem cheiro de fascismo”, disse Pastor Henrique Vieira, deputado federal (PSOL-RJ).

Vieira condenou o projeto de lei, que será apreciado hoje por uma comissão na Câmara, e disse que ele reforça a cultura do ódio contra homossexuais no Brasil. O deputado federal explicou que houve uma apropriação e deturpação da ideia original, mudando o que seria uma discussão sobre direitos para se tornar palco de um fanatismo religioso.

Isso é violento e chama a atenção da sociedade brasileira. É a mesma lógica que, historicamente, massacrou grupos em nome de uma moralidade. A cada 32 horas, um homossexual é assassinado no Brasil por motivo de ódio. Daí vem um projeto desse que só amplia a margem de desproteção, vulnerabilidade e hostilidade contra essas pessoas, dignas de todo o respeito e reconhecimento”, falou Pastor Henrique Vieira, deputado federal (PSOL-RJ).

O projeto de lei original, que versava sobre direitos dos cônjuges em um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, é de autoria de Clodovil Hernandez, apresentador e deputado federal que morreu em 2009. A relatoria passou para as mãos do Pastor Eurico (PL-PE), que alterou a proposta de Clodovil e a transformou em um texto no qual proíbe equiparar a união homoafetiva ao casamento.


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