A decisão de Xi Jinping de ausentar-se da cúpula do G20 sugere um enfraquecimento das relações da China com outras potências, assim como um crescente sigilo na cúpula do Partido Comunista, indicaram analistas à AFP.

O Ministério de Relações Exteriores chinês disse na segunda-feira que o primeiro-ministro Li Qiang representará o país na cúpula de líderes das principais economias mundiais em Nova Délhi neste fim de semana, confirmando de fato a ausência do presidente Xi.

Pequim não explicou os motivos da decisão de Xi, que não faltou a nenhuma destas cúpulas desde sua chegada ao poder, com exceção de Roma em 2021, da qual participou por videoconferência devido às restrições da covid.

Sua possível ausência contrasta com seu protagonismo em agosto na cúpula do grupo Brics de economias emergentes na África do Sul, na qual a admissão de novos membros foi aprovada.

Ao priorizar os laços com o mundo em desenvolvimento, Pequim tenta “criar uma alternativa (…) à ordem internacional liberal dominado pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse Steve Tsang, diretor do SOAS China Institute na Universidade de Londres.

Este realinhamento “é amigável para a China, mas sinocêntrico, já que busca e consolida apoio no Sul Global”, disse.

O G20 (…) não é algo que a China possa dominar, por isso tem menos prioridade”, acrescentou Tsang.

A ausência no G20 também mina as esperanças de novos intercâmbios com as potências ocidentais depois do papel central assumido por Xi na última cúpula de novembro na ilha indonésia de Bali.

Tensões com a Índia

Os especialistas atribuem a decisão, em parte, às tensões de longa data com o país organizador, a Índia.


Avatar

administrator