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Por Marcelo Gomes

Nesta sexta-feira (11/2), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa (ALMG) ouviu o último depoimento antes de sua conclusão. Desde quarta-feira (9/2), a CPI tentou ouvir as peças-chaves que poderiam elucidar as suspeitas de irregularidades na Cemig. O foco da oitiva derradeira, a do presidente da companhia energética, Reynaldo Passanezi, foi as relações suspeitas entre o partido do governador Zema, o Novo, e a estatal.

Sob Reyaldo, pairam três grandes suspeitas. A primeira diz respeito à contratação dele para o atual cargo. Entre o fim de 2019 e início de 2020, o governador Zema indicou Reynaldo Passanezi para o cargo de presidente da Cemig. A escolha passou por uma espécie de exame, feito pela Exec. Essa é uma empresa que seleciona profissionais para cargos no mercado financeiro. Ela respaldou a efetivação de Passanezi. A contratação da Exec pela Cemig para fazer esse exame ocorreu em fevereiro de 2020, um mês depois de Reynaldo ser nomeado para a função. Para os deputados, em outras palavras, o presidente da Cemig “contratou” a empresa que o selecionou. Além disso, a Exec recebeu da Cemig para fazer o processo de R$ 170 mil. Para deputados, isso tudo teria ocorrido graças à intervenção do partido Novo. Mas não há nada que ateste isso.

A segunda principal suspeita é a contratação da IBM, empresa do ramo de informática, sem licitação. O valor do acordo foi de um pouco mais de R $1 bilhão. Por sua vez, a terceira trata-se de relações estranhas entre o Novo e a Cemig.

Sobre tal suposto relacionamento, Reynaldo confirmou que para a sua contratação, ele passou por uma entrevista com João Amoêdo, um dos dirigentes do Novo e ex-candidato à presidência da República. Isso significa que a sigla teve ingerência na empresa. Conforme os deputados, outros membros do Novo possuem vínculos com a Exec, o que reforça as suspeitas sobre a contratação de Reynaldo.

A respeito do contrato com a IBM, essa empresa de informática foi contratada, sem licitação, para oferecer serviços como de call center. A grande suspeita diz respeito à falta de licitação, a duração de 10 anos do contrato, e indícios de haver futuros prejuízos à Cemig, uma vez que a IBM contrataria mais outra empresa para lhe ajudar na oferta do serviço.

Posição de Reynaldo

Segundo o presidente da Cemig, a contratação da IBM foi importante porque ela iria transformar o modelo de atendimento na companhia energética. “Percebemos fragilidade no atendimento da Cemig”, explicou. Sobre suas contratação, de forma geral, ele disse que desconhece ingerência do Novo e que ela foi lícita.

“Qual o problema de se ter indicados do Novo, no passado isso era comum e ninguém falava disso”, rebateu o deputado Roberto Andrade (Avante), da base do governo Zema.

A partir de hoje até o dia 21, o relator da CPI, deputado Sávio Souza Cruz (MDB), irá redigir seu relatório. Ele será lido no fim do mês. Esse documento indicará às autoridades judiciais o que deve ser feito após as investigações da CPI.


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