As negociações entre Brasil e Paraguai sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu avançam com a perspectiva de redução na tarifa da energia gerada pela hidrelétrica a partir de 2027. A informação foi confirmada pelo diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, que destacou a expectativa de que o custo da energia se torne mais baixo para os consumidores brasileiros após a conclusão do novo acordo.

Segundo Verri, as tratativas devem resultar em um novo modelo tarifário que considere essencialmente os custos operacionais da usina, uma mudança em relação ao formato atual. A definição final depende de consenso entre os dois países, mas há expectativa de que os termos sejam anunciados até o fim deste ano, consolidando uma nova política de preços para os próximos períodos.

O Anexo C do tratado, firmado em 1973, estabelece as bases financeiras e comerciais da operação de Itaipu. O documento previa revisão após meio século de vigência, o que abriu espaço para negociações entre os governos brasileiro e paraguaio. As discussões envolvem interesses distintos, já que o Brasil busca reduzir o custo da energia para ampliar o acesso e estimular a economia, enquanto o Paraguai pretende elevar a receita obtida com a venda de sua parte da produção.

A energia gerada pela hidrelétrica é dividida igualmente entre os dois países. No entanto, o Paraguai não consome toda a sua cota e, por isso, comercializa o excedente. Uma das possibilidades em debate é permitir que essa energia seja vendida diretamente no mercado livre brasileiro, ampliando alternativas de comercialização e potencializando receitas para o país vizinho.

O diretor brasileiro ressaltou que o objetivo do governo é garantir energia mais acessível, com impacto positivo para consumidores residenciais, trabalhadores e setores produtivos. Ao mesmo tempo, reconheceu que o Paraguai tem demandas legítimas por recursos para financiar seu desenvolvimento econômico, o que exige equilíbrio nas negociações.

As decisões sobre Itaipu exigem consenso entre os representantes dos dois países na diretoria da usina, composta por membros brasileiros e paraguaios em igual número. Além disso, o acordo final precisará ser aprovado pelos parlamentos nacionais, o que amplia a complexidade do processo.

A hidrelétrica de Itaipu é uma das maiores do mundo em capacidade instalada e desempenha papel estratégico no abastecimento energético. A usina responde por parcela significativa da energia consumida no Brasil e por grande parte da demanda do Paraguai, sendo considerada essencial para a segurança energética da região.

Paralelamente às negociações tarifárias, Itaipu passa por um processo de modernização tecnológica iniciado em 2022. O projeto prevê atualização de sistemas eletrônicos e computacionais, além da modernização do centro de controle e das unidades geradoras. As mudanças buscam aumentar a eficiência operacional e garantir maior confiabilidade ao sistema.

A usina também estuda alternativas para ampliar sua capacidade de geração, seja por meio da instalação de novas turbinas ou pelo aumento da produtividade das unidades existentes. Essas iniciativas dependem de estudos técnicos e ambientais que estão em fase de preparação.

O conjunto de ações em curso reforça a importância estratégica de Itaipu para Brasil e Paraguai. A revisão do tratado e a modernização da usina indicam uma nova etapa na gestão do empreendimento, com impactos diretos sobre o setor elétrico e sobre o desenvolvimento econômico dos dois países.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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