O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que busca insistentemente se distanciar da polarização política nacional, corre o sério risco de ficar isolado na disputa pela sua sucessão no próximo ano. O cenário estadual está sendo desenhado por movimentos independentes e fortes tanto à esquerda quanto à direita, deixando o grupo do atual governador em uma posição delicada na costura de alianças.

No campo da esquerda, o PDT e o PT investem com determinação em candidaturas próprias e, embora sigam caminhos iniciais separados, não descartam uma futura composição para garantir um palanque robusto e unificado para o presidente Lula no estado. Na direita, o PL costura ativamente uma chapa de oposição, buscando atrair o Republicanos e o PP para consolidar uma frente forte bolsonarista.

Eduardo Leite, que migrou do PSDB para o PSD em maio deste ano, tem reafirmado publicamente seu interesse em um voo nacional nas eleições de 2026. Contudo, sua nova sigla, o PSD, demonstra uma tendência de apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso este decida disputar o Palácio do Planalto. Como plano B, o partido, sob o comando do cacique Gilberto Kassab, tem à disposição o nome do governador do Paraná, Ratinho Júnior, que deve ganhar grande protagonismo nas propagandas eleitorais do PSD. Isso significa que o projeto nacional de Leite pode não ter o apoio automático de seu próprio partido.

Em paralelo, o governador gaúcho se dedica à costura da escolha de seu sucessor, após cumprir dois mandatos no comando do Rio Grande do Sul. Ele tem sinalizado preferência pelo nome de seu vice, Gabriel Souza (MDB). O emedebista já presidiu a Assembleia Legislativa do estado e foi líder do governo de José Ivo Sartori (MDB), antecessor de Leite, carregando experiência política relevante.

— É muito cedo para falar em candidatura ou pré-candidatura, mas não descarto: é uma possibilidade concreta, especialmente considerando que sou vice-governador e que o governador Eduardo já afirmou que eu seria o nome indicado para sucedê-lo — disse Souza, confirmando a articulação.

O grande desafio do vice-governador, no entanto, é o desempenho nas pesquisas. Na última rodada feita pela Genial/Quaest, divulgada em agosto, Gabriel Souza apareceu em quarto lugar, com apenas 5% das intenções de voto.

À sua frente nas pesquisas desponta a ex-deputada Juliana Brizola (PDT), neta do ex-governador Leonel Brizola (PDT), com 21% das intenções de voto. No ano passado, ela disputou a prefeitura de Porto Alegre com o apoio de Leite, mas não conseguiu chegar ao segundo turno.

— Estamos dialogando com todas as forças políticas do estado. Já tivemos conversas respeitosas e propositivas com partidos como PT, Podemos, MDB, Avante, PSD, Solidariedade — disse a ex-deputada, mostrando um amplo leque de diálogo, inclusive com partidos da base de Leite.

Aliado mais próximo ao PDT e atualmente no comando da Assembleia Legislativa, o PT, por sua vez, indica o lançamento da candidatura do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto. Em 2022, Pretto não foi ao segundo turno na disputa pelo governo por uma diferença mínima de apenas 0,4% dos votos válidos em relação a Leite.

— Há sempre esse clima de disposição para formar unidade, mas também queremos ser reconhecidos pelo tamanho que temos aqui, sendo a maior bancada na Assembleia Legislativa atualmente — disse Pretto, que registrou 11% na pesquisa Genial/Quaest, defendendo o protagonismo petista em uma eventual chapa de esquerda.

Já o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro ensaia lançar o líder do partido na Câmara federal, o deputado Luciano Zucco. Zucco registrou 20% na Genial/Quaest, em um empate técnico com Juliana Brizola, o que o coloca em posição de destaque na direita. Ele tenta amarrar o apoio do Republicanos, seu antigo partido, e do PP, que possui o maior número de prefeituras no estado, sendo um aliado estratégico. O PP, no entanto, já tem como pré-candidato o deputado federal Covatti Filho, gerando um conflito de interesses.

— Estamos deixando a vaga de vice para essas construções, acreditando que possa ser do PP. As demais composições devem ocorrer até o final do ano — disse Zucco, sinalizando a importância do PP na consolidação de uma chapa competitiva contra o isolamento de Eduardo Leite e as forças de esquerda.

Foto: Mauricio Tonetto / Secom


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