O mercado financeiro brasileiro registrou recuperação parcial nesta quinta-feira após a instabilidade observada na sessão anterior. O dólar voltou a ser negociado abaixo de R$ 5, enquanto a bolsa de valores interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas e encerrou o dia em alta.
O movimento ocorreu em meio à repercussão política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de um cenário internacional mais favorável aos ativos de risco. Investidores acompanharam sinais de distensão nas relações comerciais entre Estados Unidos e China, o que ajudou a melhorar o humor dos mercados globais.
O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 4,986, com recuo de R$ 0,022, equivalente a queda de 0,45%. Durante a manhã, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 4,97, após abrir o pregão acima de R$ 5,02. Ao longo da tarde, a cotação permaneceu relativamente estável na faixa de R$ 4,98.
Apesar da queda desta quinta-feira, o dólar ainda acumula valorização de 1,89% na semana e alta de 0,68% no mês de maio. Segundo analistas do mercado, parte da forte alta registrada na quarta-feira refletiu realização de lucros por investidores, já que o real vinha apresentando desempenho positivo ao longo de 2026.
O mercado de ações também reagiu positivamente. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, avançou 0,72% e encerrou o pregão aos 178.365 pontos. O desempenho acompanhou o movimento das bolsas norte-americanas, que fecharam em alta impulsionadas por dados econômicos considerados positivos nos Estados Unidos.
As ações da Petrobras tiveram papel importante na recuperação do índice brasileiro. Os papéis ordinários da estatal, que garantem direito a voto nas assembleias, subiram 0,82%. Já as ações preferenciais, que possuem prioridade na distribuição de dividendos, avançaram 0,96%.
Os papéis dos grandes bancos também contribuíram para sustentar a alta do Ibovespa. Mesmo com a recuperação desta quinta-feira, o índice ainda acumula queda de 3,12% na semana e recuo de 4,78% no mês. No acumulado de 2026, entretanto, a bolsa brasileira registra valorização de 10,70%.
No cenário internacional, investidores monitoraram declarações relacionadas às conversas entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Segundo Trump, autoridades chinesas teriam demonstrado apoio à manutenção da livre navegação no Estreito de Ormuz, região estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Nos Estados Unidos, dados positivos sobre vendas no varejo reforçaram a percepção de resistência da economia norte-americana, ajudando a impulsionar os principais índices acionários do país.
O mercado internacional de petróleo também encerrou o dia em leve alta, embora marcado por volatilidade devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. O barril do petróleo Brent para julho, referência internacional, subiu 0,09% e fechou cotado a US$ 105,72. Já o barril do tipo WTI, negociado no Texas, avançou 0,15%, encerrando o dia a US$ 101,17.
Os preços reagiram a relatos sobre uma embarcação conduzida para águas iranianas próximas aos Emirados Árabes Unidos, episódio que elevou preocupações sobre possíveis impactos no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Apesar das tensões, investidores também acompanharam discussões sobre eventual aumento da produção pela Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados, a Opep+, numa tentativa de reduzir impactos da crise sobre a oferta global de petróleo.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

