O dólar voltou a subir e a bolsa brasileira fechou em queda nesta quarta-feira, em um dia marcado pela divulgação da prévia da inflação oficial acima das expectativas do mercado e pela forte queda nos preços internacionais do petróleo.

A moeda norte-americana encerrou o pregão vendida a R$ 5,061, com alta de 0,66%. Durante a sessão, a cotação chegou a atingir R$ 5,07, alcançando o maior valor desde o último dia 19. Apesar da alta registrada em maio, o dólar ainda acumula queda de 7,79% em 2026.

O avanço da moeda refletiu tanto o fortalecimento global do dólar quanto o aumento da cautela dos investidores diante do cenário internacional e das perspectivas para os juros no Brasil.

No mercado de ações, o índice Ibovespa caiu 0,48%, encerrando o dia aos 175.744 pontos. Foi a segunda sessão consecutiva de perdas da bolsa brasileira.

As ações da Petrobras tiveram forte influência negativa sobre o índice. Os papéis ordinários da estatal recuaram 1,62%, enquanto as ações preferenciais caíram 1,43%.

A pressão sobre a Petrobras ocorreu após a queda acentuada nos preços do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent, referência global, recuou 4,57%, fechando cotado a US$ 92,25. Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, caiu 5,55%, encerrando o dia a US$ 88,68.

O movimento foi provocado por notícias envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz, região estratégica para o transporte global de petróleo.

Mais cedo, a televisão estatal iraniana informou que existiria um esboço preliminar de acordo entre Teerã e Washington para restabelecer o fluxo comercial de navios na região. Embora a Casa Branca tenha negado a informação, o presidente Donald Trump afirmou que as negociações continuam avançando.

Mesmo sem confirmação oficial de um acordo, investidores passaram a apostar em menor risco de interrupção na oferta global de petróleo, pressionando os preços da commodity.

No Brasil, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 também contribuiu para aumentar a cautela no mercado financeiro. O IPCA-15 subiu 0,62% em maio, resultado acima das projeções de analistas.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,64%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. O resultado reforçou a percepção de que a autoridade monetária poderá manter juros elevados por mais tempo ou desacelerar o ritmo de redução da taxa Selic.

A perspectiva de juros altos tende a diminuir o interesse por investimentos em ações, favorecendo aplicações consideradas mais seguras no mercado financeiro.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil


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