A economia brasileira registrou crescimento de 0,1% em abril na comparação com março, mantendo trajetória positiva mesmo em um cenário marcado por juros elevados e pressões externas relacionadas ao aumento do preço do petróleo. Os dados fazem parte do Monitor do PIB, levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, que acompanha mensalmente o desempenho da atividade econômica nacional.

Na comparação com abril do ano anterior, a expansão foi de 1,8%. Já no trimestre móvel encerrado em abril, compreendendo os meses de fevereiro, março e abril, o crescimento alcançou 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos doze meses, a economia apresentou avanço de 2%, reforçando a percepção de estabilidade em meio a um ambiente econômico desafiador.

O estudo reúne informações dos setores da indústria, dos serviços, do comércio e da agropecuária para estimar o comportamento do Produto Interno Bruto, principal indicador da produção de bens e serviços do país. Segundo a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o resultado demonstra capacidade de resistência da atividade econômica mesmo diante de fatores que tradicionalmente reduzem o ritmo de crescimento.

Entre os elementos que pressionaram a economia estão os juros elevados mantidos pelo Banco Central e o aumento do preço internacional do petróleo, impulsionado por conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Apesar dessas dificuldades, a maior parte dos componentes analisados apresentou desempenho positivo, contribuindo para a manutenção do crescimento.

O consumo das famílias foi um dos destaques do período. No trimestre móvel encerrado em abril, houve expansão de 2,6% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. O resultado representa o melhor desempenho desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2025 e indica que a demanda interna continua exercendo papel importante na sustentação da atividade econômica.

As exportações também contribuíram significativamente para o resultado. O crescimento foi de 9,3% no trimestre móvel, impulsionado principalmente pelo avanço das vendas externas de produtos da indústria extrativa. O desempenho desse segmento reforçou a participação do setor externo na expansão da economia brasileira.

Outro indicador acompanhado pelo levantamento é a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos realizados por empresas e governos. O índice registrou crescimento de 0,7%, interrompendo uma sequência de quatro períodos consecutivos de retração. O resultado é visto como sinal positivo para a retomada dos investimentos produtivos.

Segundo as estimativas da Fundação Getulio Vargas, a taxa de investimento da economia alcançou 18% em abril. Em valores correntes, o Produto Interno Bruto acumulado no ano até o mês de abril foi estimado em R$ 4,376 trilhões.

O Monitor do PIB é considerado uma importante referência para acompanhar a evolução da atividade econômica antes da divulgação dos dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado reforça a percepção de que a economia brasileira segue crescendo de forma moderada, sustentada pelo consumo, pelas exportações e pela recuperação gradual dos investimentos, mesmo diante de desafios internos e externos que continuam exigindo atenção das autoridades econômicas.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


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