Favorito para assumir a presidência nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) na eleição do próximo mês, o ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, tem construído uma estratégia de “palanques duplos” em diversos estados. No Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em Alagoas, ele tem se aproximado de chapas adversárias que disputam os respectivos diretórios estaduais, buscando apoio simultâneo de grupos que competem entre si. “O objetivo é consolidar uma vitória já no primeiro turno da votação marcada para o próximo dia 6″, relatam aliados.
Segundo integrantes do partido, Edinho tem dialogado com diferentes correntes, inclusive com antigos adversários da Construindo um Novo Brasil (CNB), grupo majoritário do PT, ao qual ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pertencem. “Essa costura inclui alianças pouco prováveis e está sendo articulada para evitar um segundo turno, algo que o PT não enfrenta desde 2007”, explicam petistas.
Enquanto Edinho costura acordos, seus concorrentes na eleição interna — Rui Falcão (Novo Rumo), Romênio Pereira (Movimento PT) e Valter Pomar (Articulação de Esquerda) — concentram críticas ao favoritismo dele, buscando forçar uma segunda etapa no processo.
A estratégia de Edinho, entretanto, tem gerado tensões nas disputas estaduais. “Há chapas que acusam as adversárias de romper acordos anteriores para tentar se beneficiar da proximidade com o candidato que lidera as pesquisas”, reclamam dirigentes.
Em Alagoas, por exemplo, Edinho participou no dia 30 de um ato político de Ronaldo Medeiros, da corrente Resistência Socialista, uma das primeiras a declarar apoio ao seu nome. No dia seguinte, Edinho dividiu o palanque com Dafne Orion, apoiada pelo deputado federal Paulão (PT-AL), integrante da CNB. Paulão criticou a situação: “Isso não foi pactuado. É provável que o pessoal da Resistência Socialista no diretório nacional tenha feito esse pedido a ele. Foi uma decisão de cima para baixo”, avaliou.
Em março, situação semelhante ocorreu em Aracaju. Edinho participou de eventos organizados por grupos adversários locais, apoiados por Márcio Macêdo, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e pelo senador Rogério Carvalho. Ambos disputam influência sobre o comando estadual do PT em Sergipe.
No Rio de Janeiro, Edinho também demonstrou flexibilidade. Na última segunda-feira, esteve ao lado do prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, em um evento na quadra da Mangueira. Dois dias depois, ele participou de um ato de apoio ao deputado federal Reimont (PT-RJ), no Circo Voador. Reimont disputa o diretório com Diego Zeidan, filho de Quaquá, que também já havia dividido o palanque com Edinho. “Estou tranquilo, acredito que Diego terá 70% dos votos”, afirmou Quaquá, minimizando o impacto do palanque duplo.
Em Minas Gerais, Edinho vem atuando entre dois grupos rivais. Há uma semana, subiu no palanque da deputada estadual Leninha, ligada à tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade. Edinho já havia expressado resistência à manutenção de Gleide no cargo, caso vença. Ainda assim, a aproximação foi articulada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, aliada de Gleide. Em maio, Edinho havia participado de ato com a deputada federal Dandara Tonantzin, que disputa o comando estadual com apoio do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), hoje à frente do partido em Minas.
No estado de São Paulo, Edinho também fez movimentos ambíguos. Apesar de apoiar formalmente a reeleição de Kiko Celeguim à presidência do diretório estadual, gravou um vídeo elogiando o deputado estadual Antonio Donato, concorrente direto. Donato conta com apoio de líderes da corrente Novo Rumo, como o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que abandonaram Rui Falcão para apoiar Edinho. “Durante debate em Porto Alegre, Rui Falcão agradeceu a ‘uma parcela pequena da Novo Rumo’ por permanecer ao seu lado”, comentaram interlocutores.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

