O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) desembarcou em Washington nesta quarta-feira (16), véspera da reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar do tarifaço imposto ao Brasil. Segundo aliados, Eduardo manteve encontros no Departamento de Estado e “buscou interlocução direta com autoridades americanas para compreender os desdobramentos da medida”.
Integrantes de seu entorno afirmam que não há expectativa de que o governo americano recue das exigências impostas ao Brasil, entre elas “a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, vista como condição para reverter as tarifas. Mesmo assim, o grupo de Eduardo considera que as negociações “estão em excelentes mãos”, já que Rubio, nomeado por Donald Trump, “possui alinhamento ideológico e entendimento direto com o campo conservador brasileiro”.
A designação de Rubio como secretário de Estado foi recebida com entusiasmo pelos bolsonaristas, que o veem como “um interlocutor firme e sensível às causas da direita latino-americana”. Já o governo brasileiro adota postura cautelosa, mas avalia que “a abertura de diálogo é um sinal positivo”. Segundo ministros de Lula, o fato de Trump ter “ignorado Bolsonaro durante a conversa telefônica com Lula” foi interpretado como indicativo de que o ex-presidente não será incluído nas discussões diplomáticas.
Lula, por sua vez, demonstrou otimismo após o telefonema. O presidente brincou dizendo que “pintou uma indústria petroquímica entre ele e Trump”, em referência à “boa química” mencionada pelo republicano.
A declaração do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, também repercutiu. Ele afirmou que o tarifaço foi motivado por “preocupações com o Estado de Direito, decisões do Judiciário e ataques aos direitos humanos no Brasil”. Greer mencionou, sem citar nomes, o ministro Alexandre de Moraes ao declarar que “um juiz brasileiro teria ordenado que empresas americanas censurassem conteúdos, emitindo ordens secretas para controlar o fluxo de informações”.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reforçou o discurso, destacando “preocupações com o tratamento dado a opositores políticos e com a detenção irregular de cidadãos americanos no Brasil”. Nos bastidores, o governo Lula entende que essas declarações refletem “a estratégia da ala trumpista de manter pressão sobre Brasília enquanto as negociações avançam”.
Foto: Henry Tonet

