O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou nesta sexta-feira (25) que os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), podem ser incluídos em futuras sanções do governo dos Estados Unidos. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa *Oeste com Elas*, transmitido pelo YouTube. Segundo ele, há risco de suspensão de vistos e aplicação de penalidades semelhantes às previstas na Lei Magnitsky, que trata de sanções a autoridades envolvidas em violações de direitos humanos.
“Davi Alcolumbre não está nesse estágio ainda, mas certamente está no foco do governo americano”, afirmou o deputado. “Ele tem a possibilidade agora de não ser sancionado e não acontecer nada com o visto dele, se ele não der respaldo ao regime. E também o Hugo Motta, porque na Câmara dos Deputados tem a novidade da lei da anistia.”
Eduardo relaciona a aplicação de sanções ao andamento de pautas como a proposta de anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e ao possível processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o não avanço dessas matérias poderia agravar o cenário. “Se o Brasil não conseguir pautar a anistia e o impeachment do Alexandre de Moraes, a coisa ficará ruim”, afirmou.
Durante a entrevista, o parlamentar também comentou sobre a expectativa em torno da aplicação da Lei Magnitsky por parte dos EUA. Segundo ele, medidas podem ser anunciadas em breve. “O Trump tem um arsenal na mesa dele e, pode ter certeza, ele não utilizou esse arsenal todo. Caso venha, talvez até hoje, quem sabe, Deus queira, a Lei Magnitsky contra o Alexandre de Moraes, esse vai ser só mais um capítulo dessa novela. Não será o último.”
Eduardo também dirigiu críticas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), afirmando que esperava uma atuação mais intensa do colega na campanha articulada nos EUA contra ministros do STF. “Na nossa percepção, é difícil que ele não tenha a real dimensão do que está sendo tratado aqui nos EUA e que isso é vital para conseguirmos resgatar a democracia brasileira. Então, causa certa estranheza que ele tem sido pouco ativo em levar essa mensagem adiante.”
Apesar das críticas, Eduardo ponderou que não vê má intenção em Nikolas. “Eu não acho o Nikolas uma pessoa mal-intencionada, mas eu achava que teria mais respaldo. Isso não depende de uma conversa minha com ele, depende da atitude dele”, acrescentou.
Nos últimos dias, Eduardo Bolsonaro também dirigiu críticas a outros nomes do campo bolsonarista. Um dos alvos foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), após a nomeação do deputado estadual Guto Zacarias (União-SP), ex-integrante do MBL, como vice-líder na Assembleia Legislativa. “Por que o Tarcísio mantém como vice-líder uma pessoa do MBL, um grupo que defende a minha prisão, a prisão de meu pai, a prisão de jornalistas exilados, gente que ficou anos sem ver os filhos, como o Allan dos Santos?”, questionou.
As declarações vieram após breve trégua entre Eduardo e Tarcísio, encerrada após divergências quanto à negociação do tarifaço com os Estados Unidos. O deputado também criticou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), após este ter sugerido que Eduardo teria “criado um problema” para a direita com suas falas. Em resposta, Eduardo acusou Zema de pertencer à “turminha da elite financeira”.
Outro alvo de críticas foram os senadores que viajaram aos Estados Unidos nesta sexta-feira com o objetivo de buscar alternativas diplomáticas ao tarifaço. A comitiva inclui nomes como Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP) e o líder do governo Lula no Senado, Jacques Wagner (PT-BA). Em publicação nas redes sociais, Eduardo classificou a viagem como “um desrespeito a Trump” e afirmou que a missão estaria “fadada ao fracasso”.
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