O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (25). Em publicação nas redes sociais, Flávio sugeriu que o magistrado, relator da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado, deveria ser submetido à internação compulsória. Segundo o senador, Moraes estaria “obcecado” pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai dele.
“O processo que meu pai está passando, que não é um processo, é um lixamento, é uma perseguição, estava com a sentença pronta muito antes de começar. Todo mundo sabe disso”, escreveu o parlamentar. “Eu acho que o Alexandre de Moraes precisa sim de uma ajuda profissional. Ele não está nas suas faculdades mentais normais. Eu acho que ele precisa de uma internação compulsória. É uma pessoa que está obcecada por Bolsonaro e atropela a Constituição a todo momento para atingir o seu objetivo de prender o Bolsonaro. Sabe aquele cara que é viciado em crack?”, comparou.
O ataque ocorre semanas após Flávio ter mencionado a possibilidade de “uso da força” caso o Supremo não aceite medidas como um eventual indulto ou anistia concedida por um futuro presidente aliado do bolsonarismo. Em entrevista à *Folha de S. Paulo*, o senador declarou que, caso o STF não respeite a decisão de outro Poder, poderá haver uma crise institucional. “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força”, disse. “Estou fazendo uma análise de cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz uma composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: ‘É inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia’. Isso não dá.”
Questionado sobre a natureza de sua declaração, Flávio afirmou que não se tratava de uma ameaça, mas de uma avaliação política: “Não falei em tom de ameaça. Estou apenas analisando o que pode acontecer”.
Na mesma linha de confrontação, o senador exaltou as tarifas de 50% impostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros, em entrevista concedida ao portal *Metrópoles*. “Os patriotas de verdade deveriam agradecer ao presidente Trump. Essa medida é uma providência divina”, declarou. “Trump quer ajudar o Brasil”, acrescentou.
Para Flávio, a aprovação da proposta de anistia aos réus dos atos de 8 de janeiro é essencial para que os Estados Unidos suspendam as sanções comerciais. Ele sustenta que, sem essa sinalização, não haverá trégua por parte do governo americano. “A anistia é a única maneira de reverter o tarifaço”, disse.
O senador também minimizou os esforços de uma comitiva de oito senadores brasileiros, que viajou aos EUA com o objetivo de negociar a suspensão das tarifas. Segundo ele, a missão “não vai resolver nada” e representa apenas uma “perda de tempo”. Entre os integrantes da delegação estão ex-ministros dos governos Bolsonaro e representantes do atual governo Lula, incluindo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senador Marcos Pontes (PL-SP) e o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA).
Nos bastidores, aliados do STF avaliam as falas de Flávio Bolsonaro como mais uma tentativa de pressionar o Judiciário em meio à escalada de tensões entre o núcleo político bolsonarista e o Supremo. “A ideia de que o Judiciário deve se curvar a arranjos políticos é inaceitável numa democracia”, afirmou um integrante da Corte. O ambiente institucional continua polarizado, e novas declarações como as do senador acirram ainda mais o cenário.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

