Após a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) cogitar deixar o Partido Liberal caso não seja incluída na chapa ao Senado em 2026, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu publicamente a candidatura do irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), para a vaga. Na última semana, a parlamentar se queixou abertamente da articulação para as eleições em Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello (PL-SC) defende que o senador Esperidião Amim (PP-SC) concorra à reeleição. Caso o nome de Amim se confirme, Carol de Toni estaria fora da disputa majoritária, já que a outra vaga ao Senado estaria reservada ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na última quarta-feira, Carol de Toni disse em entrevista à rádio Princesa Xanxerê que Mello defende o nome de Amim motivado pelo tempo de televisão adicional que essa aliança garantiria. A deputada federal acrescentou que pretende resolver a questão até março de 2026 e que conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o Senado. A disputa se acirra no estado onde ela tem participado de eventos ao lado de Carlos Bolsonaro.
Em uma publicação no Instagram do jornal catarinense A Razão, que compartilhou um trecho da entrevista dada pela bolsonarista, nomes ligados ao Partido Novo convidaram a deputada federal a mudar de partido. “Será muito bem-vinda no Novo!”, disse o deputado federal Marcel Van Hattem. Já o ex-deputado federal Deltan Dallagnol comentou: “Torço por Carol no Senado. Não só porque merece, mas pelo catarinense e pelo Brasil. Ela é dos melhores parlamentares do Congresso. As portas do Novo estão abertas!”. “O convite de Deltan reforça a divisão interna na direita catarinense”.
Outros perfis criticaram a escolha de Carlos Bolsonaro para disputar o cargo. “Carlos que vá concorrer pelo Rio, acha que aqui é o curral eleitoral deles?”, escreveu um eleitor. Outra eleitora comentou: “Sou de direita, sou Bolsonaro! Mas colocar o Carlos Bolsonaro pra ser candidato aqui, sou contra! Sou Carol sempre”. O vereador do Rio de Janeiro tem sido alvo de críticas em Santa Catarina por não ter uma história política no estado.
Eduardo Bolsonaro, então, respondeu aos comentários e defendeu a candidatura do irmão. Ele argumentou que colocar De Toni contra Carlos Bolsonaro “não é estratégia de quem quer o melhor para o país”.
“É criar uma divisão sem sentido, irracional – ou racional para quem busca certos fins partidários, não me admira ver aqui acima um comentário do Deltan convidando-a abertamente para o Novo e nenhum falando da tal ‘união da direita'”, escreveu Eduardo Bolsonaro na publicação.
Ao argumentar a favor do nome de Carlos para o Senado, ele fez uma comparação inusitada com a gestão de empresas privadas: “Muita gente critica o setor público dizendo que ele deveria funcionar como o privado. Concordo. Mas vale lembrar: nas grandes empresas privadas, os sucessores costumam ser os filhos dos fundadores. Não por privilégio, mas por eficiência e confiança. Quem entenderia melhor o negócio do que quem cresceu dentro dele, conhece cada detalhe, da primeira venda ao balanço anual?”, acrescentou, sugerindo que Carlos tem o conhecimento do “negócio” político da família.
Na entrevista à rádio, Carol de Toni, que descreveu como foi a visita do governador catarinense a Jair Bolsonaro na última quarta-feira, afirmou ainda que o ex-presidente também apoia a sua candidatura ao Senado, mesmo que ela fique fora da chapa oficial do PL. Ela demonstrou firmeza em suas convicções: “Tem gente que acha que porque eu sou uma pessoa serena na maior parte do tempo, eu sou fantoche e possa vir a ser palhaça. Mas aqui ninguém é fantoche, ninguém é palhaço”.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

