Nos Estados Unidos há vinte dias, o deputado Eduardo Bolsonaro entrou no país com um visto de turista, que lhe permite permanecer em solo americano por um período de até seis meses. A categoria B1/B2, utilizada pelo parlamentar, é destinada a viagens curtas e cursos de curta duração. Caso necessite estender sua estadia, Eduardo poderá solicitar uma ampliação de mais trinta dias.
Para contornar as limitações do visto atual, o deputado tem cogitado pedir asilo político ao governo de Donald Trump, buscando uma alternativa para obter o green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos. Nesta terça-feira, após anunciar que se licenciaria do mandato por um período inicial de quatro meses, Eduardo afirmou que “não há a mínima possibilidade” de retornar ao Brasil. Ele justificou sua permanência no exterior alegando riscos para a oposição política e fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento de Eduardo Bolsonaro gerou surpresa no Congresso e ocorre em um momento de tensão política, após a manifestação liderada por Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro em defesa de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O deputado planeja permanecer nos Estados Unidos até que haja, segundo ele, alguma punição a Moraes por “abuso de autoridade”. Para isso, pretende buscar apoio entre integrantes do governo de Trump e ampliar a pressão externa sobre a Justiça brasileira.
Mesmo licenciado, Eduardo Bolsonaro não perderá seu mandato, mas terá o salário suspenso. Jair Bolsonaro indicou que recebeu pedidos para manter o filho fora do Brasil e sugeriu que pode custear suas despesas.
Nos bastidores do STF, ministros interpretam a estratégia do deputado como uma tentativa de criar um “clima político” favorável para futuras decisões. Aliados do Partido Liberal (PL) tentaram argumentar ao longo do dia que Eduardo está resistindo a supostos atos arbitrários. Antes de formalizar sua decisão, o deputado comunicou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e posteriormente informou a bancada do partido.
“Foi uma decisão pessoal e corajosa. Ele não havia comentado nada previamente, mas o partido respeita sua escolha”, afirmou o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ).
Foto: Joyce N. Boghosian/Casa Branca

