A eleição para a presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), marcada para 1º de janeiro de 2025, intensifica a disputa política entre grupos aliados e adversários do governo local. No centro do embate, está o vereador Wagner Ferreira (PV), que enfrenta pressão de seu partido e do Executivo municipal por seu apoio ao candidato Juliano Lopes (Podemos), em detrimento de Bruno Miranda (PDT), líder do governo na Câmara.
O Partido Verde notificou Wagner nesta segunda-feira (30) sobre sua obrigação de votar em Miranda. Segundo resolução conjunta dos diretórios estadual e municipal, descumprir essa orientação poderá acarretar sanções previstas no estatuto partidário, incluindo expulsão por infidelidade partidária. “O vereador filiado ao PV deve votar na chapa encabeçada por Bruno Miranda, que representa os interesses e a linha programática do partido. Qualquer desvio implicará medidas disciplinares,” alertou o documento.
Para o PV, Miranda está alinhado com o campo progressista, enquanto a candidatura de Lopes representa forças “retrógradas”. Contudo, Wagner resiste. O vereador alega que já havia assumido compromisso com Lopes antes da movimentação tardia do governo em lançar Miranda como candidato, decisão tomada às vésperas do Natal.
A situação ganhou contornos ainda mais intensos após o prefeito Fuad Noman (PSD) e o vice-prefeito eleito Álvaro Damião (União) intervirem diretamente. Na última sexta-feira (27), Álvaro telefonou para Wagner, apelando por seu apoio a Miranda. Na ocasião, Wagner já estava reunido com o candidato do PDT e reforçou que havia dado sua palavra a Lopes. Segundo interlocutores, Wagner estaria buscando garantir um espaço para a ala de esquerda na Mesa Diretora, justificando sua decisão.
Wagner, vice-líder do governo Fuad, tem minimizado a polarização entre os dois candidatos, argumentando que, no cenário federal, tanto Miranda quanto Lopes apoiam Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. Essa posição de distanciamento reflete o clima de tensão e as disputas internas que permeiam a eleição da CMBH.
A postura do vereador expõe as dificuldades de coordenação dentro do PV e do governo municipal. Enquanto o partido ameaça puni-lo, Wagner defende que sua adesão a Lopes foi motivada pela aparente neutralidade inicial de Fuad, que teria prometido não lançar um candidato.
Com a disputa em alta voltagem, o desfecho da eleição da Mesa Diretora será decisivo para definir o equilíbrio de forças na Câmara e pode impactar significativamente a articulação política da administração de Fuad Noman nos próximos anos.
Foto: Abraão Bruck/CMBH

